Vivemos numa sociedade onde a cultura do medo se interpõe cada vez mais. Basta assistir ao jornal. Nossos problemas, fantasmas, medos, saem do armário quando menos se espera. Só que existem maneiras e maneiras de encarar nossos monstros.
Outro dia, assisti ao filme “Monstros S/A” da Disney. Filme para crianças? Mais ou menos. Como a maioria (senão todos) dos contos infantis, esse filme traz uma mensagem subliminar para nós, adultos, que já ouvimos antes, porém esquecemos em alguma parte do caminho. Os monstros são realmente monstros?
O filme conta a história de uma sociedade que sobrevive do “medo das crianças”. Esse medo proporciona a energia necessária para toda uma sociedade. Na verdade, os “monstros” não passam de funcionários de uma empresa, que estão lá, se esforçando para assustar. É o trabalho deles. E o medo é muito mais deles em relação às crianças do que o contrário disso. Até que um dia, eles descobrem que o riso é capaz de proporcionar muito mais energia ainda. Mas até chegar á essa conclusão, muita história rola, muitos “medos” ou “risos” ao som da belíssima trilha, especialmente de "If I didn't have you" de Randy Newman.
Um dos filmes mais inteligentes da parceria Disney/ Pixar. Adorei, me diverti muito e refleti sobre os medos impostos em nossa sociedade. Nada como “Monsters Incorporation”, no dia do trabalho.
P.S - O CD da trilha ganhou o Grammy Award de melhor album musical infantil de 2003 .
Dizem que a gente só dá valor a alguém, depois que perde. Que valor é esse que aparece só na ausência? Á bem da verdade, eu acho que a maioria de nós se esquece de lembrar. Lembrar o que fez com que o relacionamento chegasse no ponto final. Isso, geralmente, depois de muitas vírgulas e reticências. Todos os relacionamentos passam por bons momentos, não fosse assim, não seria um relacionamento. Mas porque não, lembrar a verdadeira razão, que nos levou a conclusão, de que ser feliz sozinho é melhor do que sofrer junto? Não seria mais sincero, apesar de menos romântico? Ninguém termina uma história á dois sozinho, do mesmo jeito que ninguém começa. Tudo é feito de comum acordo, salvo raríssimas exceções. Sendo assim, é sempre empate. Zero á zero. O que fica são os “detalhes tão pequenos de nós dois”, que cabem muito bem numa canção, mas que feliz ou infelizmente, não são coisas tão grandes assim pra esquecer. Se fossem não haveria um final. Eu continuo acreditando que amor pra ser amor só pode ser á dois, o resto é companheirismo, atração ou seja lá o que for. Não leva mais que alguns capítulos. O resto é costume e quem entendia bem disso era Oscar Wilde “a gente se habitua até aos nossos piores vícios”. Tudo á ver esse “Samba do grande amor” do Chico na interpretação impecável de Wanda Sá e da Celinha Vaz – grande Celinha...
Sábado de aleluia, chovendo, meio da tarde e o cinema lotado. Fila enorme e a sala completa. Que filme é esse? – Chico Xavier. Como de praxe, um filme que tem a direção de Daniel Filho é sinônimo de sucesso e esse, especialmente pela biografia contada, baseada no livro de Marcel Souto Maior, não poderia deixar de ser. É a história de uma criança diferente das outras, tímida, calada, sofrida, que tinha como confidente sua mãe – já morta – e seus amigos desencarnados. Acho que a maioria dos brasileiros conhece sua vida, sua dedicação e a grande ajuda prestada não só as familias que buscavam mensagens de entes queridos, mas tambem a justiça, desvendando crimes insolúveis através de confissões psicografadas de vítimas. Um filme assim em outras épocas, seria alvo de chacotas, ironias e descrença. Hoje em dia o assunto, mesmo para os descrentes, merece o devido respeito. Fui criada ouvindo sobre kardecismo por parte do meu pai, apesar de estudar em colégio católico. Crescí no meio do caminho, até que comecei a questionar um lado e o outro. Através do tempo, dos acontecimentos em minha vida e de estudos da história geral encontrei mais sentido nas explicações espirituais, que nos mistérios convencionais e mesmo não sendo frequentadora dessa ou daquela, cheguei ás minhas próprias conclusões (até por uma questão de lógica). Assim como Chico Xavier, meu pai tambem foi incompreendido por um longo período, mas ser incompreendido, não era tão importante pra ele. Sua missão (segundo ele) era educar seus filhos, prover sua família e manter a paz, enquanto estudava, lia, escrevia e rezava, todas as noites, quando chegava do trabalho. Foi com ele que aprendí a ler e escrever, conhecer cada músico erudito (vida e obra) literatura, pintura e a respeitar todas as crenças. Foi com ele que aprendi a perdoar e ajudar sempre que possível, quem quer que fosse. Só mais tarde descubri que essas são as regras primordiais do kardecismo. Talvez tenha sido por todas essas coisas que entrei no cinema, cheia de dúvidas e sai de lá em paz. Pode ser que ele próprio tenha estado lá rezando com Chico, comigo, com todos, a mesma oração que me ensinou quando eu era pequena: “Pai Nosso....”
Depois de ler algumas criticas negativas sobre o filme, eu fui ao cinema assistir "Coco Antes de Chanel" (com Audrey Tautou, Benoit Poelvoorde e o belo Alessandro Nivola). Surpresa!
Pra quem gosta de moda, como eu, o filme não é apenas um bom filme.
É uma aula de moda, de inspiração e de arte. Basta prestar atenção aos inúmeros detalhes.
Audrey Tatoo impressiona. Tá bom que a própria Coco não era “bonitinha” como a Tautou, apesar de provavelmente ter mais classe, mas Audrey Tautou deu o recado direito.
Baseado no livro de sua melhor biógrafa, Edmonde Charles Roux, o roteiro se estende até sua realização profissional, tendo a direção de Anne Fontaine. Detalhe: A produção contou com a ajuda da Maison Chanel, que permitiu acesso a todos os arquivos e coleções.
Falar de Chanel é evocar a elegância natural em sua plenitude, é o estilo, a feminilidade que se contrapõe as feministas (decadentes, na minha opinião) da década de 70. Chanel foi uma mulher que soube ser mulher, usando e abusando das armas que muitas de nós, mal sabemos usar.
Uma mulher inteligente e criadora que buscava a simplicidade e o conforto acima de tudo.
Ela é a responsável pelos chemisiers soltos, os cardigãs, o tailleur inspirado nos ternos masculinos, as peças em jersey, os twinsets e as calças compridas para mulheres. Encurtou as saias, lançando seus famosos sapatos bicolores, com confortáveis bicos arredondados. Criou o “pretinho básico” e as pérolas falsas, que junto com outras bijuterias ganharam lugar de destaque, em suas coleções Adotou o corte clássico, simétrico, reto, deixando a nuca a mostra (corte Chanel) e lançou o perfume mais vendido do mundo, o Chanel número 5 (o número 5, era seu numero de sorte).
A bolsa (icone da moda) mais amada pelas mulheres, continua sendo a clássica Chanel 2.55, criada em fevereiro de 55, com alça para ser usada a tiracolo e deixar as mãos livres, segundo Coco, para segurar uma taça de champagne numa mão e um cigarro na outra.
Chanel trabalhou até o dia de sua morte (um domingo, dia que ela detestava) com 88 anos.
O filme de 110 minutos, mostra a relação da sua vida com suas criações (como não poderia deixar de ser), desde sua infancia no orfanato, passando por sua adolescencia, segue com seu envolvimento com um famoso milionário da época, depois, seu grande romance com um Lord inglês, que colaborou para que ela abrisse sua primeira boutique e termina deixando um gosto de quero mais no publico, que a bem da verdade, não soube nem a metade da sua emocionante vida. Nem daria pra contar, num único filme. A fotografia é um caso a parte, com cenas em Dauville e Paris. Tudo isso, sem contar o guarda roupa, fiel a época, em parte da própria Maison. Uma linda homenagem, embora ainda pequena, em relação à mulher que revolucionou a moda. Amei. Vou ver de novo.
Essa semana (quinta) começa no Ibirapuera a exposição sobre Antoine Saint-Exupéry, autor de “O Pequeno Príncipe” e eu acabo de encontrar uma informação que eu não tinha sobre ele, assinada por Susan Andrews:
"Poucas pessoas sabem que Saint-Exupéry lutou na Guerra Civil Espanhola, quando foi capturado pelo inimigo e levado ao cárcere para ser executado no dia seguinte…
Nervoso, ele procurou em sua bolsa um cigarro, e achou um, mas suas mãos estavam tremendo tanto que ele não podia nem mesmo levá-lo à boca. Procurou fósforos, mas não tinha, porque os soldados os haviam tirado. Ele olhou então para o carcereiro e disse: "Usted tiene fosforo?". O carcereiro olhou para ele e chegou perto para acender seu cigarro. Naquela fração de segundo, seus olhos se encontraram e Saint-Exupéry sorriu.
Depois ele disse que não sabia por que sorriu, mas pode ser que quando se chega perto de outro ser humano seja difícil não sorrir. Naquele instante, uma chama pulou no espaço entre o coração dos dois homens e gerou um sorriso no rosto do carcereiro também. Ele acendeu o cigarro de Saint-Exupéry e ficou perto, olhando diretamente em seus olhos, e continuou sorrindo. Saint-Exupéry também continuou sorrindo para ele, vendo-o agora como pessoa, e não como carcereiro.
Parece que o carcereiro também começou a olhar Saint-Exupéry como pessoa, porque lhe perguntou: "Você tem filhos?". "Sim", Saint-Exupéry respondeu, e tirou da bolsa as fotos deles. O carcereiro mostrou fotos de seus filhos também, e contou todos os seus planos e esperanças para o futuro deles. Os olhos de Saint-Exupéry se encheram de lágrimas quando disse que não tinha mais planos, porque ele jamais os veria de novo.
Os olhos do carcereiro se encheram de lágrimas também. E, de repente, sem nenhuma palavra, ele abriu a cela e guiou Saint-Exupéry para fora do cárcere e, através das sinuosas ruas, para fora da cidade, e o libertou. Sem nenhuma palavra, o carcereiro deu meia-volta e retornou por onde veio. Saint-Exupéry disse: -Minha vida foi salva por um sorriso do coração”.
A exposição inclui desde cadernetas de anotações e desenhos, até objetos pessoais inéditos do autor, com fotos e documentos que só agora vamos ter acesso. É a maior mostra francesa em território brasileiro.
O livro “O Pequeno Príncipe” é o terceiro livro mais traduzido do mundo, perdendo só para a Biblia e o Alcorão, continuando a ser o top dos livros infantis. Seu autor, assim como o personagem, um dia simplesmente desapareceu. Um ano depois de ter escrito esse livro.
Saint-Exupéry saiu em vôo em 1944 e nunca mais voltou. Muito tempo depois, o mistério foi esclarecido. A prova de sua identificação foi uma pulseira sua, encontrada no mar de Marseille, em 1998.
Tá bom, eu dei mesmo um tempo no blog, mas juro que por motivos justos.
Tudo começou depois de um mal entendido com meu dentista e eu resolvi procurar outro.
Minha amiga que tinha acabado de fazer um tratamento dentário me garantiu que seu dentista era calmíssimo, atencioso e um excelente profissional. Ela mesma ligou pra ele que em seguida me ligou. Eu disse a ele que o único problema era que seu consultório ficava no 11º andar (detesto elevadores) caso contrário eu gostaria de fazer um orçamento com ele. Uma hora depois ele me ligou, dizendo que sua irmã tinha um consultório (casa) e ele até poderia me buscar e irmos juntos pra lá. Muito gentil, pensei. Fomos até lá e no caminho ele me contou que era compositor, mas tinha preferido se dedicar a odontologia, etc. Olhou minha boca e me pediu uma panorâmica (foto da boca inteira). Em seguida fez questão de me deixar em casa e uma hora depois me ligou pra pedir que eu não esquecesse de fazer a tal panorâmica. Depois me daria o orçamento.
Só que no dia seguinte eu fui procurada por um oficial de justiça que me entregou uma carta, onde um juiz de Brasília me obrigava a pagar (em 24horas) as custas de um processo (de dez anos atrás) que eu nem sabia que tinha perdido.
O caso foi o seguinte: Uma editora de Brasília publicou um livro com todo o repertório musical que Roberto Carlos gravou e no meio das musicas havia uma musica minha e de Sérgio Sá que saiu no livro em nome de Roberto e Erasmo (erro que poderia ser facilmente corrigido, ok?). Liguei para a editora, pedindo pra que corrigissem esse erro. O responsável por ela me disse que não iria corrigir nada, que não iria perder seu tempo com compositores e que se eu quisesse que processasse a editora. Liguei pro meu parceiro nessa música (Sérgio Sá) que me indicou um advogado especializado em direito autoral. O advogado me aconselhou a entrar com um processo contra a editora. Porem, esse “excelente advogado” conseguiu perder a causa e nem me avisou. Por isso o oficial de justiça, me dando 24 horas para pagar. E em Brasília! Contatei um advogado (esse, confiável, mesmo) que me passou para um colega seu de Brasília, para resolver o caso, ou seja; pagar o mais rápido possível. Só que essas coisas não são tão simples como parece ser ainda mais se tratando de um caso em Brasília e eu estando em São Paulo.
Enquanto isso, o dentista me ligando...
Nesse meio tempo, minha mãe me ligou chorando por ter caído em outro golpe do telefone (esse mais sofisticado). Alguém ligou pra ela se passando por meu filho e pedindo um dinheiro emprestado. Segundo ela, essa pessoa ligava várias vezes por dia e pedia que ela não contasse pra ninguém. Depois de alguns dias de telefonemas, ela concordou em “emprestar” e entregou dois cheques (em torno de 20.000,00) a um moto boy, que depois disso lhe enviou flores! Coisa de filme! Ainda estou em processo de correr atrás das microfilmagens dos cheques (cada um num banco).
E o dentista me ligando...
Enquanto eu corria atrás dos documentos para enviar para Brasília, dos cheques roubados e tentando contornar a história do dentista, meu marido (francês) descobriu um site chinês e ficou encantado com os preços oferecidos. Entusiasmado, começou a comprar tudo o que via pela frente e esperou pela encomenda que viria da China.
Não deu outra. Recebemos um telegrama dos correios, avisando que pela quantidade de compras, a encomenda tinha sido caracterizada como “remessa comercial”, portanto devíamos explicações ao órgão aduaneiro.
Foi aí que meu dente começou a incomodar (em pleno sábado à noite) e eu liguei pro dentista que afinal, insistia em me receber como sua paciente. Marcamos em seu consultório (11º andar) pro dia seguinte.
Acordei de manhã com o telefonema do dentista querendo confirmação que eu estaria lá. Confirmei. Já estava saindo, quando ele ligou de novo querendo saber se eu iria mesmo!
Fomos pra lá; Jack e eu. O dentista cuidou do meu dente (apesar de aparentemente nervoso) e aproveitou pra dar (finalmente) o orçamento. Por volta de R$ 30.000,00. Perguntou se o Jack não queria um orçamento também. Bom, já que estamos aqui... R$20.000,00. Em resumo, nossas bocas beiravam o preço de um bom carro. Mas, ele alegou, poderia fazer em vários cheques (adiantados, claro). Ficamos de pensar nessa “negociação”.
Na manhã seguinte acordamos com o telefonema dele (de novo) Queria saber quando a gente estaria lá pra começar o tratamento e o pagamento que segundo ele, poderia ser negociado. Eu disse que entraria em contato.
Algumas horas depois, eu estava resolvendo o problema da documentação que teria que seguir pra Brasília, quando o dentista ligou novamente.
- E aí? Você não vai começar esse tratamento? Se não vai, fala logo, porque eu tenho meus compromissos.
Daí, eu fiquei mesmo assustada.
- Pra falar a verdade, eu... (disse eu)
Ele não me deixou completar
- E o Jack? Não vai fazer também? Ninguém vai fazer nada?
Daí o Jack não agüentou e começou a falar do meu lado, bem alto (em português, com sotaque)
- Não vou fazer tratamento nenhum não, na minha terra os dentistas não são assim.
- Nem aqui, eu disse pro Jack
- Olha aqui, disse o dentista visivelmente nervoso, quando eu tiver tempo, eu ligo pra vocês. E desligou.
Pelo ritmo das ultimas semanas, parece que ele tem bastante tempo, então cada vez que o telefone toca em casa, ninguém quer atender...
- É o dentista!!! - Já pensou?
Há 10 dias peguei uma gripe que, se não for a suína, tem bem o seu espírito. Quando a gente pensa que já foi, ela aparece de novo. "Gripe 2 - O retorno".
Essa noite foi uma das tantas outras que ví o dia nascer, tossindo. E da-lhe leite morno com açúcar (sou alérgica a mel), Vic Pyrena, limão e over doses de vitaminas. Acho que depois dessa gripe, eu vou ficar imune a todas as outras bactérias. Meus anti corpus vão acabar com todas elas. - Harebaba! - como diz o indiano da novela.
Gil dizia na música Barato total, "quando a gente tá contente, quando a gente tá legal, tudo pode ser um barato total. Tudo que você fizer, deve fazer bem, nada que você comer deve fazer mal..." Deve ser por causa da gripe ou inversamente, que fiquei mais sensivel do que ja sou. Ando chorando até em comerciais de refrigerante. Daí para as reflexões...
Por que o tempo passou tão depressa? Eu nem vi eles crescerem. Por que Deus faz isso com as mães? A gente rala desde a gravidez e quando pensa que é "so lucky to be loving you", olha em volta e não tem mais ninguem. E não adianta dizer que netos compensam. I'm sorry.
Então, alguem te diz- Agora sim, você pode curtir sua vida sem as antigas obrigações. Só que as antigas "obrigações", não passavam de ciladas afetivas e você se deixou acostumar de tal maneira que sem elas você perdeu sua identidade. Sua identidade se somou àquelas risadas, o quarto desarrumado, as confusões na escola, as brigas por tudo e por nada, até por ciúme da mãe, as coisas quebradas, os pratos preferidos, a trabalheira fantastica de ensinar, o chocolate quente, o café pra conversar, as lagrimas de cortar o coração, as vitórias que parecem mais valiosas que um Grammy, as confidencias no quarto da mamãe...
Um dia a gente acorda e tudo está em silencio, tudo está arrumado, portanto; tudo está fora do lugar. Inclusive você.
Só se ouve mesmo a batida do coração que pergunta e pergunta...
- Cadê as crianças?
Pra mim, o dia de hoje está a cara dessa musica
Nesses ultimos dias, existia alguma coisa no ar que me intrigava, como se fosse um céu cheio de nuvens carregadas. Uma tristeza indizivel que me deixava sem energia. Muita coisa aconteceu; desde um problema de saude em familia, meus problemas pessoais, culminando com perdas, várias perdas. Perdas de conhecidos e amigos, como o grande Zé Rodrix e a terrivel tragédia de domingo com o avião Air France, uma companhia que eu sempre costumava viajar. Eu digo, "costumava", porque se antes eu já tinha medo de voar, agora, a coisa piorou. Sem palavras, pelo acontecido, deixo aqui um texto que encontrei no blog da Zoe. http://www.zoedecamaris.blogspot.com/
"Falar o quê? É o que todos dizem. Meus Sentimentos. Gosto do lance dos sentimentos porque não entendo bem o peso dos pêsames. Mas mesmo assim, falar deles não significa nada numa hora em que tudo fica sem sentido. É um corte na noção de tempo, do corpo ocupando um espaço. De quantos lugares habitam as almas no ar, no céu.
Um amigo, em rápida menção me disse: - E se somos as ínfimas partículas da água rolando na crista das ondas? Me soou belo, grandioso e patético. Bem resolvido demais. Antes de chegar a gotícula, há que se compreender que Cavalo move a Morte num tabuleiro: Agora, seu nome é Xadrez.
Sempre sonhei com quem se vai desse mundo em preto e branco. Resta-me as cores no mundo dos vivos e isso não é pouca coisa. Mas eles me parecem pálidos, os que se foram, como num filme antigo. E não é sépia não, é preto e branco mesmo.
Penso que a Morte vem assim num zuuuuuuuum, dá no ouvido da gente crescendo e crescendo - quando se viu já era. Viagem, essa que empreendemos sempre virgens. Mas para isso, há um percalço curioso: Dormimos todos os dias pois, caso assim não fosse, quando a Morte chegasse seríamos surpreendidos em uma porrada incontida, uma explosão de nêutrons, um cruz-credo avassalador.
Convenhamos: há coisa mais estranha, se olhada com perplexidade de quem vê a lua pela primeira vez, do que o ato de dormir?
Vamos lá todos em fila, que nem os anões da branca-de-neve com seus travesseiros, agarrados no quentinho para nos garantirmos. Enquanto estivermos cativos do calor tá tudo bem. Dá pra deitar na cama e ficar ali parado em semi-inécia. Coisa estranha é dormir. Sua normalidade me choca.
Dormimos para nos acostumarmos com a chegada da Implacável. E sonhamos. Nos sonhos, toda uma vida - vias, desvarios, veias em viés. Vida onde transitam aqueles que se foram mas não partiram. Em algum lugar, eles não se partem. Ficam. Deve ser dentro do coração.
Quando aparece alguém que eu não conheço nos meus sonhos, sei que é a figuração de uma alma. Eu poderia até arriscar uma interpretação pseudo psicanalítica, mas não vou perder tempo agora: a Morte não faz Nove Horas.
Então, quando a Inominável, vem - inominável sim, mas com o número bem certo - entramos para sempre no mundo dos sonhos, é a verdade inegável. Somos para sempre o que sonhamos...." Zoe de Camaris.
Domingo passado, por volta das 23hs, meu telefone tocou. Do outro lado, a velha musiquinha de ligação a cobrar...
Nessas horas a gente pensa; pode ser, quem sabe, alguem proximo ligando de um telefone publico. Ok, aceitei a ligação e escutei:
- Mamãe, mamãe – chorando, visivelmente perturbado – eu fui assaltado, eles me pegaram...
Lembrei dos trotes, lembrei que poderia ser mentira, mesmo assim, pensei que ia desmaiar. E se fosse verdade? Foi aí que eu ensaiei, um outro “golpe”;
- Luiz, meu filho, onde vc está? (meu filho tem outro nome)
- Não sei mamãe, eles me colocaram num carro
- Mas Luiz (enfatizei), o que é que aconteceu?
Nesse instante uma outra voz (com sotaque carioca) pegou o telefone
- Calma minha senhora, o Luiz está com a gente...
- O Luiz? Luiz Alberto?
- É, o Luiz... – respondeu a voz
- Só que eu não conheço nenhum Luiz Alberto. Que pena, né?...- disse eu zombando e desliguei o telefone.
Em seguida liguei pro celular do meu filho, que já estava chegando em casa.
Ufa! Dessa vez, tudo acabou em pizza, mas poderia ter acabado em tragédia, como tantas que ouvi contar. E, confesso; o teatro que eles fazem através do telefone é tão bem feito, que poderiam ganhar prêmios de interpretação, com direito a efeitos sonoros especiais e tudo.
Apenas algumas perguntas:
1 - Como eles sabiam que eu tinha um filho? (poderia ter uma filha ou não ter filhos)
2 – Como sabiam que ele não estava em casa? (domingo a noite, normalmente ele está)
3 - Como acertaram (pela voz) a idade dele? (poderia ter um filho pequeno ou adolescente)
Tudo foi uma coincidência? Bom, prefiro não saber...
De 29 de abril a 12 de maio, Paris presta homenagem ao cinema brasileiro, celebrando tambem os 50 anos da bossa nova. Foram escolhidos 30 filmes para serem exibidos na ocasião e dentre eles “Meu nome não é Johnny”- ganhador da melhor trilha sonora original (que inclui a canção “Outra Vez”) no Premio Vivo do Cinema Brasileiro, alem de outros prêmios - .
Só assim e finalmente os franceses vão ouvir minha canção.
Ela já foi regravada em inglês, italiano, espanhol, mas nunca em francês – ironicamente, uma vez que tenho descendencia francesa -. Será que vai ser dessa vez?
Todo mundo tem um sonho, o meu é esse. A maioria dos sonhos se realizam, já disseram mesmo que “sonho é destino” – verdade – mas esse...
Pela excelente qualidade do filme, estou muito contente que ele tambem estará lá. A arte brasileira será mais uma vez lembrada através do cinema e da musica e eu espero, de todo o coração, que eles percebam que a gente por aqui continua compondo, mesmo muito depois de “Garota de Ipanema”.
Assim como existe um lado psicológico-didático em cada conto de fadas e por isso mesmo, passado de gerações a gerações, pelo mundo inteiro, existem contos menos conhecidos incluídos nesse perfil. É o caso de “Eduardo mãos de tesoura” – o menino quase humano que não sabia o que fazer com sua criatividade, “O retrato de Dorian Gray” – seu retrato envelheceu e ele não e “O Curioso caso de Benjamim Button” – que vivia o tempo ao contrário-. São nossos contos de fadas contemporâneos.
Só ontem pude assistir “The Curious Case of Benjamin Button” - do conto de F. Scott Fitzgeral -baseado na famosa frase de Mark Twain: "A vida seria infinitamente mais feliz se pudéssemos nascer aos 80 anos e gradualmente chegar aos 18". Mas, cá entre nós; - Seria mesmo?
A impressão que ficou foi de ter “assistido” um poema. Um filme para sentir e refletir sobre os nossos confusos valores morais atuais. O que é a vida, senão um curto espaço de tempo? O que fazer com o tema da nossa história? Que diferença faz para os nossos sentimentos, a nossa idade cronológica? Essas e outras questões são colocadas de maneira delicada e terna, tendo como assunto principal o perdão e a desmistificação do tempo.
Desde o inicio onde um relojoeiro cego, inventa um relógio que trabalha ao inverso, na esperança de ver seu filho, morto na guerra, voltar pra casa, até o final subjetivo e ao mesmo tempo lógico.
Uma história de amor humana e fantástica. Como a vida.
Trilha sonora de Alexandre Desplat. Comovente.
Feriado prolongado e eu não viajei. Sampa nos feriados é ainda mais bonita, com muitos programas interessantes, dependendo do gôsto de cada um. A foto ao lado é dos jardins do Museu do Ipiranga, onde encontrei toda uma familia de miquinhos.
Visitando outros blogs, achei essa postagem no blog “Companhia da boa noticia” . Faz muito sentido, não?
“Depois de demonstrar que a obesidade e o tabagismo se espalham em redes de relacionamentos, os pesquisadores Nicholas Christakis e James Fowler revelaram no British Medical Journal que, quanto maior o número de pessoas felizes com que você se relaciona, mais provável é que você também fique feliz. Eles descobriram que pessoas com as maiores redes de contatos sociais – amigos, cônjuges, vizinhos, parentes - eram também as mais felizes. "É um tecido de humanidade; uma colcha de retalhos: sua felicidade depende do que está acontecendo nos retalhos próximos a você. Não é só o fato de pessoas felizes conectando-se a outras pessoas felizes. Acima de tudo, há um processo contagioso acontecendo. E a “alegria contagia mais que a tristeza”, explicam. A pesquisa mostra inclusive a probabilidade de se "contagiar". Por exemplo, se um contato social é alegre, sua chance é de 15%. Se for amigo de amigo, ou amigo do cônjuge ou irmão, a chance é de 10%. Mas, cada amigo triste aumenta sua chance de ser infeliz em 7%. A pesquisa também se relaciona com outro estudo sugerindo, em 1984, que 5.000 dólares extras na renda aumentavam em 2% as chances das pessoas serem felizes. Assim, um amigo feliz equivale a aproximadamente 20.000 dólares, afirma o pesquisador.”
Assim como o carioca tem o hábito de dizer "olha só...", os paulistas (sem perceber) dizem muitas vezes "então". Daí o "então" é usado pra muitas coisas; pra começo de frase ( então eu acho que...), pra afirmar (você gosta mesmo disso ? resposta - então), e por aí vai... Outro dia me perguntaram por que eu não tinha ainda um blog, uma vez que adoro escrever e toda a minha vida trabalhei com comunicações. Foi quando entrei aqui, olhei pra sessão de blogs e pensei : - Então...
Compositora com mais de 300 musicas gravadas por muita gente boa, entre elas a música Outra Vez que Roberto Carlos gravou, antes de um monte de outras regravações. Resolveu montar um selo e uma editora "Toca Disc", gravou seu próprio CD e escreveu um livro"Você também faz musicas?" - Responsável por trilhas sonoras em teatro e cinema, propagandas publicitárias e temas de várias novelas da Rede Globo de Televisão.