sexta-feira, 25 de maio de 2012

NOVA LEI DIREITO AUTORAL



A partir de hoje, 25/05/2012, cópias para uso exclusivamente pessoal de CDs de música ou de livros didáticos deixarão de ser crime. A reivindicação é uma das mais antigas entre os que acham necessária uma renovação da lei de direitos autorais brasileira e foi aprovada nesta quinta-feira, 24, por um grupo de juristas que discute em Brasília revisões no Código Penal.

O Brasil tem uma das leis de copyright mais fechadas do mundo, segundo organizações como a Consumers International, e punia o então crime com quatro anos de prisão, enquadrando-o no quesito "violação do direito autoral". A partir de agora, cópias que não objetivam o lucro estarão liberadas.

O texto aprovado diz que "não há crime quando se tratar de cópia integral de obra intelectual ou fonograma ou videofonograma, em um só exemplar, para uso privado e exclusivo do copista, sem intuito de lucro direto ou indireto". http://www.pegandodanet.com/2012/05/copia-para-uso-pessoal-deixara-de-ser.html

Portanto, as vendas de livros, filmes e CDs, agora foram literalmente dispensadas. –Quem vai comprar o que é de graça?
Imagino então, que as editoras de livros vão passar a trabalhar sem remuneração uma vez que não haverá receita ou mais; vão tirar do próprio bolso os custos para papel, impressão, etc . Os escritores irão escrever unicamente por amor a arte.
As gravadoras vão elas mesmas pagarem os músicos, estúdios e todo o “make” para elaboração de um CD. Tudo isso para “doar”. Sendo assim, os cantores vão fazer esse trabalho como voluntários e os compositores que passavam noites e dias trabalhando e depois negociando seu trabalho, irão criar por puro diletantismo.
Profissionais do cinema não poderão mais contar com bilheteria. – Quem vai pagar pra ir ao cinema se pode assistir de graça? (todos os filmes estão na internet- liberados para uso privado, claro)
É assim?
Então, o condomínio, supermercado, colégio, saúde, eletricidade, transporte, também serão gratuitos para esses profissionais? Sempre “para uso privado”. Não?? Como??
Se os outros produtos para sobrevivência não irão acompanhar essa festa, toda essa gama de profissionais terá que buscar outros meios de sobrevivência e sendo assim, as inovações culturais também chegarão ao fim, sobrando para o publico os produtos mais antigos que serão colocados a disposição – sempre para uso privado. Ou existe outro?
 ... E como no filme “De volta para o futuro”, anulamos a lei do direito autoral que garante a cada criador, o respeito e a remuneração por seu trabalho.
Mas continuamos pagando impostos para educação, saúde, transporte e salários para dirigentes da lei que anulam o pagamento para a cultura.
É isso mesmo ou um filme de ficção?
http://www.alessandrabourdot.com/cigarras-desempregadas/

domingo, 15 de abril de 2012

PREFIRO GENTE QUE BICHO


Eu sempre gostei de poodles, tanto que tive um; Chopin. Chegou em casa como um novelo branco de lã, com 2 meses de vida, foi vacinado, vermifugado, etc.

No inicio, tinha problemas para dormir, eu o embalava como se fosse um bebe e ele dormia com musica.

Chopin foi crescendo como o membro mais especial da família. Dormia comigo (ou com minha filha), cada vez que fazia suas necessidades, tomava banho (parcial). Uma vez por semana ia ao cabelereiro, passeava e ganhava carinhos e presentes de todos. Enfim; Chopin era pra lá de mimado, amado, querido e lindo, muito lindo.

Até que um dia, sem mais nem menos, começou a surtar, ficar inquieto e fazer pipi pela casa, quando já estava habituado com seu cantinho especial pra isso. Levei no veterinário, estava tudo em ordem.

Numa dessas vezes, eu ensaiei pegar Chopin no colo pra levar pro seu cantinho e limpar o que ele havia feito. Ele me mordeu. Mordeu e rosnou pra mim, muito bravo mesmo. Justo eu que fazia tudo por ele. Claro que não doeu, seus dentinhos apesar de afiados eram muito pequenos. Doeu a magoa. Muito. Doeu tanto que eu doei Chopin a um amigo (com o coração na mão). Eu me senti terrivelmente traída, inconsolável mesmo. Foi a perda de uma amigo infiel.

Já tive amigos na adolescência que fizeram a mesma coisa (traição), e até integrantes íntimos da minha família, que contrário as leis naturais me surpreenderam com o seu desamor.

A traição não é privilégio dos humanos, nem dos bichos. Ela existe. Assim como o amor. Esse assim como a lealdade, muitas vezes vem de onde a gente menos espera. Por isso, apesar de desejar que todos convivam na mais pura harmonia, aprendi que não se pode separar o homem do bicho. Apesar de o homem ser racional e o bicho ser instinto, no fundo temos semelhanças, pro bem e pro mal. Nem se pode generalizar, apesar da preferencia. E eu prefiro a clareza, a comunicação, por mais que doa. Então, apesar da máxima em moda nos dias de hoje: “Prefiro bicho que gente”, não posso negar que eu, humana, sou fiel ao meu time. Ainda que sejamos muitas vezes de mundos, valores e opções diferentes. Prefiro gente que bicho.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Você também está lá?

De repente o mundo inteiro cabe numa pagina, diversos idiomas, raças e filosofias se misturam e – incrível!- se compreendem. Uma confraternização universal e diária onde todos se encontram.

Daí aquele amigo de infancia, te acha. O pior são aqueles outros que você não estava a fim de encontrar; eles também te acham. Mas, tudo bem. Lá todo mundo é gente boa, todo mundo ama os animais, preserva a natureza, ninguém é racista ou homofóbico. Todos são bem sucedidos e lindos. E curtem. Curtem tudo. Desde o discurso sobre um bichinho desamparado até aquela piada que todos já ouviram e repetiram.

A coisa chegou num ponto, que tem gente que acorda e entra só pra dar bom dia e não vai dormir sem dar boa noite. E a página te acompanha no celular, no tablet, no notebook... Virou mais um pet, uma mania, um vicio ou um elenco de apoio.

O mundo é lindo, todos sorriem, todos se amam. Nessa página. A fantasia é a alma do negócio.

Um negócio que gera milhões só pra conceder o direito à ilusão de que o mundo é assim. Um negócio calculista como qualquer outro, que vende uma realidade unicamente virtual, onde os participantes também virtuais são exatamente como desejariam ser e acreditam no que desejam acreditar.

Lá fora, os humanos continuam iguais, por isso eles passam á morar, cada vez mais tempo dentro da pagina.

Eu estou, você está, ele está, todos estamos. Lembrando que talvez estejamos sim, mas dentro de um projeto, como em “O admirável mundo novo” de Aldous Huxley e nossa “Soma” diária seja exatamente a página.

De quem seria a moeda pra responder a pergunta:

- O que você está pensando agora?

sábado, 17 de setembro de 2011

NÃO ADIANTA NEM TENTAR TE ESQUECER

O tempo passa pra todo mundo. Nosso “Rei” Roberto Carlos pode até estar mais velho, mas com a idade veio a sensatez, a sabedoria a coragem de assumir certos defeitos e manias, comuns a todos nós, mortais, mas que antes eram simplesmente lendas atribuídas a ele.

Sua forma de cantar mudou. Está mais sóbrio, mais sério. Traz na bagagem muita história; decepções e perdas versus sucessos escandalosos, a somatória de sua vida singular. Isso se vê refletido na sua voz, na sua interpretação e até na postura frente aos seus súditos fieis.

Muitas coisas eu já sabia, outras pressentia e outras ainda fiquei sabendo, ontem, na sua entrevista no programa Jo Soares.

Sempre soube do seu amor pela natureza, mas foi novidade o episódio da lagartixa, hóspede efetiva no seu apartamento, do cuidado em relação às formigas e outros pequenos bichinhos.

Nos dias de hoje, em que a sensibilidade é tão rara, assim como a bondade, ele é aquele diamante cor de rosa que não tem preço, como ser humano. Como artista, nada tenho a dizer, suas musicas falam por ele.

E vão continuar a falar, séculos depois, quando o mundo contar a história de que houve um dia um homem, um cantor, um compositor, de tão grandioso talento que era chamado de Rei, que amava o mar, o céu, a floresta, os animais e nem o tempo foi bastante forte para apagar suas marcas.

Não adianta nem tentar esquecer.

(trecho da entrevista de Roberto Carlos 17/09/2011)


domingo, 11 de setembro de 2011

A VOZ



Tenho vários amigos e amigas, mas uma em especial é mais do que uma irmã, é a mais importante.

Justamente essa amiga querida teve que se submeter a uma cirurgia, que me assustou: Colocar três pontes de safena. Eu sei que hoje em dia, diante de outros tipos de cirurgia, essa passou a ser apenas mais uma cirurgia. Mas fiquei seriamente preocupada, só rezando, enviando energias positivas, ligando todos os dias, etc. O pior é que ela está bastante longe e eu tive que me conformar em acompanhar de São Paulo, toda a história, até porque ela mesma não quis que eu fosse pra lá. Menina corajosa.

Hoje, uma semana depois, ela me contou “os bastidores” de como tudo aconteceu.

Assim que ela foi encaminhada a sala de cirurgia, estava meio que dormindo e alguém (ela não sabe quem) disse pra ela;

- Você tem direito a um desejo, não importa qual, o que você quiser. Você tem direito a um único desejo. Peça o que quiser que eu vou realizar.

Ela pensou, pensou e respondeu:

- Não sei o que pedir, eu não tenho o que pedir. Tudo o que quis na minha vida, eu fiz. Tenho tudo o que quero. Nada a pedir, obrigada.

A voz insistiu, sugeriu, e ela respondendo a mesma coisa. A voz usava palavras muito bonitas e ela respondia sempre a mesma coisa. Tipo: Agradeço sua proposta, mas no momento não preciso de nada. Esse papo foi longe, sempre a mesma coisa e cada vez mais ela se lembrava de tudo que tinha conseguido na vida, de tudo que tinha passado, das pessoas que amou e perdeu, das pessoas que amava e ainda estavam vivas e cada vez mais chegando a conclusão, que tudo tinha acontecido no tempo certo; nem antes nem depois. Toda a sua vida passava pela sua mente e ela não queria mudar nada, nem acrescentar nada. Até que a voz silenciou, ela estranhou, abriu os olhos, tinha uma enfermeira do lado e ela perguntou;

- E aí? Quando é que vai começar essa cirurgia?

E a enfermeira

- Já acabou. Você está na UTI.

E ela sentiu muito frio, ficou muito mal humorada, brigou com a enfermeira (porque estava com frio) disse que ia processar o hospital e chegou à conclusão que a enfermeira queria mata-la. Imaginou como se defender se a enfermeira atacasse, por isso não comia nada e jogava fora os remédios que tinha que tomar (no caso de ser veneno).

Na manhã seguinte, outra enfermeira apareceu com uma maca e ela pensou- Vão me levar pra fazer mais exames e depois me mandam de volta pra UTI, mas se me fizerem voltar pra cá eu fujo. Imaginou sua fuga, planejou...

Só que logo na saída estava seu filho esperando pra ir com ela pro quarto.

Daí ela começou a chorar e chorou o dia inteiro. Não queria comer, nem beber, nem falar, nem nada. Só chorar.

Ela não sabe se chorou porque estava livre, porque não tinha morrido ou porque não tinha mesmo nada a pedir.

sábado, 27 de agosto de 2011

Corinne Bailey Rae

Dizem que quando as pessoas estão meio fora do ar, devido a anestesias ou qualquer outra coisa assim, se voltam para o tempo mais feliz das suas vidas.

Se me perguntassem qual foi o tempo mais feliz da minha vida, eu diria que foi logo depois da minha separação, quando as crianças eram pequenas e eu batalhava sozinha pra criar meus filhos e viviamos todos em total harmonia. Na época, eu me propus a não assisitir jornais, ignorar problemas sociais ou politicos e meu interesse era exclusivamente musical e o bem estar das crianças.

Fiquei sem namorado um bom tempo, o que contribuiu para a ausencia de conflitos emocionais. Viajavamos nas férias, conversavamos muito e eramos um grupo unido, aliás como somos até hoje.

Acho que essa foi a melhor base que eu poderia dar e me dar tambem. O carinho, a cumplicidade. Coisa que me faltou na infancia.

Hoje, em meio a turbilhões de problemas profissionais e pessoais as lembranças voltam como um refugio e as vezes, uma canção, sem razão alguma lava a alma como se exorcizasse fantasmas e confirmasse que a vida sempre vale a pena.

Foi assim, ontem à tarde. Uma cantora que eu nem conhecia, uma musica que me tocou tão profundamente como uma brisa de sol depois da tempestade.

Valeu. Muito prazer, Corinne Bailey Rae.


sábado, 16 de julho de 2011

VALE TUDO?

O que aconteceu com o texto das novelas? Será que a briga pela audiência pôs fim a criatividade? Ou a criatividade se excedeu perdendo o fio do sucesso?

Acabei de assistir a reprise da novela Vale Tudo pelo canal Viva. Um clássico sem refilmagem, sem retoques. A novela é muito mais do que um simples folhetim açucarado, como era de praxe naqueles tempos e passa longe das imitações trash, que se tornaram as tediosas novelas de hoje em dia. Ela tem antes de tudo: Texto, propondo o tema genial que acompanha a nós, mortais, desde há muito:- Qual a melhor opção? ou honestidade X desonestidade. Quem chega primeiro?

Claro que existem muitas releituras sobre o mesmo assunto, mas nenhuma toca com tanta sinceridade. A ficção imitando a vida da maneira mais próxima possível. A realidade escrita em linguagem memorável, inteligente, irônica e eternamente atual.

Sempre existirão “Raqueis” e “Marias de Fatima”. Esse duelo nunca vai terminar enquanto o mundo for mundo, como conhecemos.

Em “Vale Tudo” não foi preciso criar violentas cenas de tortura ou de sexo, coisa que hoje em dia se lança mão, em busca de audiência. Nem se criou anjos ou criaturas caricatas, nada disso. Ela foi direto ao ponto. Sem desculpas ou falsos artifícios. Sem maquiagem.

A maioria dos personagens, é gente que a gente conhece, vê na rua, ouve falar. O assunto está lá, em qualquer jornal. E ainda que a gente aplauda o bom caratismo de um personagem, não há como negar a simpatia popular do casal vilão (Fatima/ César). E por que? Porque no fundo existe certa identificação/compreensão. Todos têm sua desculpa E boas desculpas. Briga boa.

Porém a maior genialidade do autor foi a sua conclusão. Quem ganhou? – Os dois. Como na vida. Não dá pra ser hipócrita e afirmar que só um bom caráter se dá bem, que eternamente a honestidade ganha o jogo. Nem o contrário disso. Questão de opção e garra.

E isso fica claro para bom entendedor. Daí o imensurável sucesso de uma novela que jamais será copiada, porque já é uma cópia honesta da vida real.

Que o sucesso de uma simples realidade focada num texto inteligente, sirva de exemplo para uma audiência, capaz de paralisar um país. Alguém já disse que o simples é bem mais difícil. Mas vale a pena tentar. Não vale tudo?

sexta-feira, 8 de julho de 2011

A MAGIA DA MEIA NOITE

Tantas vezes a gente diz ou ouve dizer – “Ah, antigamente...” ou “No meu tempo”... Como se tudo que se refira ao passado fosse melhor. Será mesmo?

Os saudosistas que me perdoem, mas o encanto existe em todas as épocas.

Apesar de tudo que esteja acontecendo em termos musicais, por exemplo, meu avô (também compositor) não tinha acesso aos seus direitos autorais, coisa que eu tive e tenho e morreu por não existir na época, um simples antibiótico. E isso é só um detalhe. Violência urbana? Ela sempre existiu, com menos divulgação, porém, que nos dias de hoje ou esquecemos da violentíssima época medieval?

Divórcio, há cem anos (até menos do que isso) era sinônimo de humilhação social para a mulher, que feliz ou infeliz, devia suportar o marido até “que a morte os separasse”. Isso era “naquele tempo”. E o tal romantismo tão propagado, será que pertence mesmo, única e exclusivamente aos tempos passados? Como diz a letra da canção “AS TIME GOES BY” do filme Casablanca; “um beijo será sempre um beijo, enquanto houver um casal apaixonado...”

É exatamente disso, que trata o filme “Meia noite em Paris”, que acabei de ver e me deliciar com a deslumbrante fotografia, trilha de primeira – como sempre em filmes Woody Allen – e atores como; Tom Hiddleston, Rachel McAdams- Marion Cotillard- Kathy Bates e mesmo Carla Bruni como participação.

Só pra se ter uma ideia, quando o filme terminou, teve quem aplaudisse (incluindo eu), impregnados que estávamos da emoção final, que ao som das 12 badaladas de Paris, respondeu a todas as dúvidas de quem ainda tivesse – Você gostaria de viver numa outra época da humanidade?

Existe o cinema e existe Woody Allen.


terça-feira, 3 de maio de 2011

MINHA COCA-COLA TODA

A vida de um compositor nem sempre é tão poética como todo mundo pensa. Às vezes e enquanto o resto do mundo pensa que, pra nós tal coisa foi uma glória, na verdade, pra gente não foi mais do que uma negociação. Outras vezes, ninguém pode imaginar o quanto tal gravação ou evento, nos trouxe realização, paixão e alegria. É infinitamente pessoal.

Por diversas razões contáveis e incontáveis, dei férias pra mim mesma em relação a musica. Cansei de injustiças, plágios, negociações escusas e outras bobagens mais. Eu só não contava com os sinais. Sempre apostei nos sinais e não foram poucos:

Do nada, um amigo indicou uma peça que eu musiquei para uma produção e tudo leva a crer que essa produção vai ser levada ao palco. Uma amiga, cantora, me liga pedindo uma música especial - essa amiga que eu não via há anos – Em seguida, a minha editora pede autorização para usar minha musica numa campanha comercial de um grande produto. Sem contar os outros pequenos sinais que apareceram durante esse tempo.

Ok. Está na hora de acabar a hora do recreio e já passa da hora de reativar minhas idéias, meu home Studio, trocar as cordas do violão, regular meu teclado e revisar o som. Com ou sem pirataria, downloads, problemas ou não com direitos autorais. Afinal, essa é a minha praia, como diz o comercial que começa a ser veiculado agora (parabéns Wagner Moura!)

Essa é a minha “Coca Cola toda”...


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sábado, 5 de fevereiro de 2011

O ULTIMO TANGO

O ultimo tango em Paris (Bernardo Bertolucci), um filme muito mais poético que erótico, que discursa abertamente sobre a intimidade do ser humano, é lembrado mais uma vez pela partida da sua protagonista Maria Schneider, desconhecida na época, com apenas 19 anos que conheceu o sucesso mundial do dia pra noite.

Segundo consta, a idéia do filme apareceu a partir de uma fantasia de Bertolucci, que um dia viu uma linda mulher desconhecida nas ruas e imaginou toda uma história com ela.

Só que o filme não é apenas isso. Apesar de ser lembrado principalmente pela “cena da manteiga”, isso é o menos importante. Busca desvendar conflitos e segredos que a sociedade insiste em esconder. Como numa das falas de Marlon Brando, justamente naquela famosa cena: “Sagrada família...Diga! As crianças são torturadas até mentirem. A vontade é esmagada pela repressão. A liberdade é assassinada pelo egoísmo...”

Apesar do imensurável sucesso do filme, Maria Schneider se arrependia e culpava Bertolucci por esse trabalho. Depois de “O ultimo tango”, ela não conseguiu mais um sucesso a altura e se entregou ás drogas e ao desespero. Sua vida pessoal e artística foi marcada por escândalos e decadência.

Poderia ser feito um filme sobre o filme, uma vez que a polemica e os casos acontecidos durante e depois das filmagens dariam um grande roteiro.

No seu lançamento, a revista New Yorker considerou o mais importante filme da década “mudando a face de uma forma de arte, um filme que as pessoas esperam desde que filmes existem...” Porem o Village Voice descreveu passeatas de comitês de moralidade na porta do cinema.

Na França o Le journal de Dimanche, classificou como “um dos maiores filmes da história” e as pessoas aguardavam em fila durante duas horas no seu primeiro mês de exibição.

No Chile, o filme ficou interditado por 30 anos.

No Brasil, só pode ser exibido no Brasil em 1979 (sete anos depois) por causa da ditadura

Na Itália o filme foi lançado, mas uma semana depois a policia confiscou todas as suas cópias, por ordem da Justiça e processou Bertolucci por obscenidade. Depois disso, a Suprema Corte Italiana ordenou que todas as cópias fossem destruídas e condenou Bertolucci a quatro meses de prisão e seus direitos civis e políticos cassados por cinco anos.

A trilha sonora do compositor argentino Gato Barbieri, ganhou um Grammy pela trilha. Depois disso ele assinou com uma grande gravadora e lançou uma série de lançamentos pop/jazz de gosto duvidoso, permanecendo inativo pelo resto da década. Nunca mais foi o mesmo.

Marlon Brando, apesar de ter sido indicado ao Oscar como melhor ator e Bertolucci, como melhor diretor, declarou que jamais faria um filme desses de novo e cortou relações com Bertolucci.

Maria Schneider morreu em Paris, com 58 anos, triste e decepcionada, vítima de câncer, quarta feira passada. A maior referencia dela é ironicamente, justamente o filme que ela se arrependeu de ter feito.


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quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

SOMEWHERE IN TIME - JOHN BERRY

Uma das musicas mais românticas dos últimos tempos, foi criada para um filme, baseado num livro ainda mais romântico e especial "Em algum lugar do passado".

Quem não conhece? Eu mesma, li o livro, assisti ao filme ( com o querido Christopher Reeve) varias vezes e não adianta nada conhecer o final. As emoções são as mesmas, as lágrimas também.

Sabemos que a emoção de um filme se deve em grande parte a sua trilha.

Domingo passado nos despedimos do criador dessa obra musical e de outras tantas de igual valor, como a trilha de "Entre dois amores", "Dança com Lobos", Perdidos na noite, James Bond, etc.

John Barry nasceu na Inglaterra, estudou piano e trompete e em 1957 formou uma banda de rock “The John Barry Seven". Mas seu sucesso aconteceu na televisão e no cinema, o que lhe deu cinco Oscars e um premio especial do Bafta (Oscar britânico).

Como todo artista que se preze (aliás, não sei porque razão) foi casado varias vezes e vivia nos Estados Unidos com a atual mulher há mais de 30 anos.

Assim como Cole Porter, os irmãos Gershwin, Michel Legrand, Maurice Jarre, ele também há de ficar, eternizado em suas canções.

A alma de um artista é seu trabalho. Se a alma é eterna, a arte é atemporal.

Have a nice trip Sir Barry.

Somewhere in Time

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