Dizem que um poeta só é grande se sofrer. Nem
sempre. As vezes a vida cria momentos e textos que não cabem apenas numa canção e outras
canções já criadas, dizem mais do que aquela que esperava pra nascer.
Existem canções que são promessas. Canções que
funcionam como um tele transporte ao passado. E outras que aparecem na nossa frente como uma mensagem
do nosso próprio coração.
Essa canção é pra você. Com todo o meu amor.Where you are...
Acabei de ver o filme (mais uma versão)
Anna Karenina (1873) e me dei conta que na época em que o romance foi escrito,
outros tantos falavam do mesmo assunto e o pior; a lição de moral era a mesma ;
Mulher que trai não merece perdão Ou acaba debaixo de um trem (Ana Kareninna),
ou morta por envenenamento (Mme. Bovary -1857), ou morre por culpa mesmo ( O
Primo Basílio- 1878). Esses são apenas alguns exemplos, temos muitos outros.
E esses outros vão desde a Idade Média até
os nossos “informáticos tempos”
Exceção feita a Nelson Rodrigues –
considerado o escritor maldito - que nos anos 50, dizia"A adultera é a mais pura porque está
salva do desejo que apodrecia nela” . Ou na peça "Perdoa-me por me traíres".
Por
mais que o tempo passe as temíveis filhas de Eva continuam a ser o pecado do
mundo, responsáveis por todos os mistérios e sacrilégios aos olhos da
sociedade. Apesar de dar a luz aos homens, esses seres que pelo visto, usam e
abusam do direito de trair sem consequências funestas. Pelo contrário; É
charme, merece perdão. Jorge Amado que o diga.
Assim,
em filmes, romances e novelas o final invariavelmente é o mesmo, deixando pouco
de curiosidade e muito de tédio por antecipação.
Existem
exceções, mas essas além de raras não conseguem o sucesso pretendido,
justamente pela condenação inalterável da sociedade, seja ela aqui ou em
qualquer outro continente.
Até
mesmo em novelas brasileiras se repete o mesmo refrão. E não dá outra – Sucesso.
Esperta
mesmo foi Capitu, que traindo ou não, até hoje ninguém sabe e por falta de
provas, foi inocentada pelo beneficio da duvida.
Anna
Karenina - Vale a pena ver pela fotografia e guarda roupa. Só.
Foi por volta
dos anos 90, que Joanna, cantora, compositora, minha parceira e amiga, me
avisou que havia no Rio uma mulher, que dizia se chamar Isolda, que era
compositora, irmã de Milton Carlos, amiga de Roberto Carlos etc.
Em resumo;
ela dizia ser eu. Joanna tinha se encontrado com ela numa festa em Santa
Catarina, onde ela afirmava que era a compositora de Roberto Carlos!
No momento eu
dei muita risada e comentei com amigos, em especial com uma assessora de
imprensa, que me disse:
– O fato é grave. Ela mesma acredita ser você.
Eu soube disso por Emilio Santiago. Ele acreditou que se tratava de você (ele não
te conhecia pessoalmente e ligou pra ela).
Ela atendeu,
disse que sim, que era a compositora Isolda, mas que não ia autorizar nenhuma
gravação pra ele, porque tinha exclusividade com Roberto Carlos. Claro que ele
ficou chateadíssimo.
Quando eu
soube dessa confusão, não sabia nem por onde começar, uma vez que essa mulher
tinha trocado o numero daquele telefone e ninguém sabia onde morava.
Falei com
essa assessora (amiga particular minha e de Emilio), que a essa altura já tinha
explicado ao Emilio esse engano e marcamos de ir ao show dele, além de fazer um
trabalho de imprensa avisando que havia alguém se passando por mim.
Assisti ao
show (impecável como sempre) e depois, ele e eu conversamos e rimos desse
engano. No mesmo ano ele regravou uma musica minha belissimamente (como sempre)
e eu nunca mais ouvi falar dessa estranha mulher, que provavelmente me
prejudicou com pessoas, que eu nem tive oportunidade de saber ou me explicar.
Hoje acordei
com a noticia de que ele partiu. Minha quarta feira está muito triste, não vou
ver mais o seu sorriso, a não ser em vídeos, nem vou mais ouvir sua voz
contando sobre suas ultimas viagens e sucessos.
Só me restam
as lembranças e a linda gravação que ele fez de uma das minhas canções. Meu
mundo está mais vazio, meu coração apertado e a música menos harmoniosa. Emilio
Santiago era e é a pura harmonia, simpatia e beleza. O cantor mais elegante que
conheci e uma das vozes mais belas que já escutei.
Os sinais estão aí, ainda que a gente esteja distraída. Os sinais que a
vida, o Universo ou “alguém muito bem intencionado” manda pra gente.
Sabe aquele caso que a gente jurava que era perfeito e depois viu que
não era? Se alguém fizer um back up vai notar os sinais, coincidências ou não,
que tinha alguma coisa errada, mas ninguém deu atenção.
E aquele dia, que apesar do convite para aquela super balada, bateu uma
enorme vontade de ficar em casa? Lembrando agora; Não seria melhor ter ficado
em casa?
Assim como a noite em que mesmo sem companhia, deu vontade de sair e por
causa disso seu destino mudou.
Sinceramente, eu ando praticamente me acostumando a isso. Já me
aconteceram tantas... Como inventar uma desculpa pra não aceitar um compromisso
e a desculpa se tornar real. Desistir de uma viagem de repente, sem qualquer motivo e depois saber
que minha presença em casa seria imprescindível. Acordar contente
sem nenhuma razão e em seguida receber uma boa noticia... E por ai vai.
Tenho uma amiga querida que vive me repetindo isso. Cada vez que conto
um fato em que me dei mal, ela não deixa por menos:
– Viu? Quem mandou não ouvir os
sinais?
– Que sinais?
Daí ela reconta a história enfatizando o quanto eu fui de certa forma
“avisada” e não prestei atenção.
Recentemente essa amiga, tinha ganho um relógio que seu filho trouxe
de uma viagem e ela não tirava esse relógio, só saía com ele. Nunca gostou tanto
de um relógio.
A semana passada, ela foi ao teatro buscar alguns ingressos, para um
show a noite. Conversou com alguns amigos, mais outros, de repente resolveu ir
ao banheiro, voltou e no meio de uma conversa notou – Cadê o relógio?
Voltou ao banheiro, procurou por tudo e nada. Saiu do teatro,
bastante chateada pensando no relógio que havia perdido e foi andando, em
direção ao metro.
Quando estava entrando no metro escutou seu filho chamando. Ficou feliz
pela coincidência de encontrar seu filho ali, naquele horário improvável e
voltar pra casa com ele. No caminho contou que havia perdido o tal relógio e
ele respondeu que não ficasse triste, que ele iria viajar pra aquele mesmo
lugar e compraria outro.
Foi só quando chegou em casa, que percebeu; Perdeu o relógio, que era
apenas um relógio, igual a milhões de outros. Mas não perdeu o mais importante;
alguém que era insubstituível, alguém que não tinha outros exemplares e que
estava ali, como pra lhe deixar claro isso.
Quem sabe o relógio não tivesse sido só um meio, pra que ela constatasse
o valor que ele de fato não tinha.
Na verdade, por mais que parecesse clichê, nada importava; Nem viagens,
nem casas, nem carros, nem relógios. Mas, pessoas.
Essa é a opinião da minha amiga.
Minha opinião – Quando alguma coisa é perdida, é porque de fato nunca
foi nossa só ocupou espaço por algum tempo, até chegar a hora de ir, porque
outra está pra chegar.
Como sempre, entre uma opinião e outra, discutimos por algum tempo até
que chegamos a um denominador comum;
Religião = re-
ligião - religar-se a Deus. Essa é a explicação.
Se é assim, por que milhões de pessoas foram e
continuam sendo mortas, violentadas, roubadas, mutiladas e tudo isso em nome
de um deus que cada um vê a sua maneira? Assim; “se o seu é diferente do meu, então
vamos brigar ?”
Se determinado grupo acha que tem razão, por que
perder essa razão (e vidas) na tentativa de “aliciar” outro grupo?
A ideologia, o amor ao próximo ou qualquer outra
coisa que o valha, passou longe. É briga de time mesmo. Tipo Palmeiras x Corinthians em proporções mundiais e sem vencedores.
Particularmente, eu não sigo essa ou aquela
religião. Mas sou cristã, portanto, contra tudo aquilo que provoca perdas a
humanidade. E o caminho que estamos trilhando aqui no Brasil está chegando
nisso. Uma volta ao passado. Se não houver um stop urgente, a qualquer momento
vamos assistir novos “bruxos” serem queimados em praça publica. Seu pecado? Pertencia a outra “religião”.
Segundo qualquer historiador, quem lidera o mundo é o poder. Quem é o dono do poder? O dinheiro. Apesar da Igreja
Católica no momento ser a menos perigosa (em termos) e ela ainda estar no topo, amanhã, quem estará?
E se for alguma seita da pesada com o objetivo de
exterminar adeptos de outras seitas? Muitos eventos começaram assim. No
silencio, pouco a pouco e de repente, o mundo explodiu em guerras santas que
depois de destruírem metade das maravilhas do universo, acabaram em pizza. Cada
um consertando seu estrago. Pra começar tudo de novo.
Quando é que o ser humano vai entender que todos
viemos e vamos para o mesmo lugar? Que a liberdade de ser e de pensar é direito
de todos, mesmo que uns não concordem com os pontos de vista de outros, que
Deus é único e se não me falha a memória o mandamento mais importante que Ele
nos deixou foi – Amai a todos como eu vos amo.
Tudo isso pra dizer o quanto estou indignada com
os últimos acontecimentos no Rio de Janeiro. O que já aconteceu há algum tempo também em São Paulo...
Às vezes a gente
precisa se desfazer de alguma coisa por varias razões; desocupar espaço, gerar
recursos, ou porque resolveu que não quer mais mesmo. As minhas tinham um pouco
disso tudo, quando eu coloquei meu carro a venda.
Depois de receber
varias propostas e nenhuma delas chegar perto do que eu esperava, alguém se
ofereceu para pagar quase o que eu pedia. Como era quase, eu aceitei. Só não
sabia o que viria depois.
Logo em seguida
percebi que sua proposta era um pouco mais complicada. Não morava na mesma
cidade que eu, teria que fazer alguns acertos etc.
No dia seguinte,
lembrei que eu mesma precisaria do carro por alguns dias. Avisei ao comprador,
mas ele parecia que não estava entendendo. Ligava todos os dias e várias vezes
ao dia. Comecei a me estressar e ele, pedindo meu CPF e nome completo, no seu
ininteligível português (nos emails e ao telefone).
Eu tenho um sério
problema; fico muito nervosa quando escuto uma frase “com certos erros de um português
ruim”. Mas venda é venda, apesar dele estar mais interessado no tipo de
pagamento do que no carro.
Nenhuma dúvida,
nenhuma questão, a não ser a forma como iria pagar. Achei estranho, porque se ele
nem conhecia meu carro, nunca tinha visto antes, porque estava tão interessado assim, exclusivamente na parte final? Comprar um carro, na minha opinião, não é comprar um
livro do catálogo. Tipo – manda por SEDEX que eu pago com cartão...
Comecei a sentir
aquela antiga sensação que sempre chega, quando tem alguma coisa errada na
história.
No dia combinado, me
avisaram da portaria que ele estava lá e eu desci com todos os documentos na
bolsa.
Decididamente, esse
cara chegou a me deixar apreensiva. Nem me cumprimentou. Parecia estar muito
zangado, falando que o carro não era o que ele estava pensando, que tinha mais
quilometragem do que o anunciado (era a mesma do anuncio), que o antigo dono
(antes de mim) era do Rio de Janeiro e ele não confiava em pessoas de lá etc.
Bom, vamos ás outras
documentações. IPVA – Por que foi pago com multa? – Sem resposta. E o DUT?
(documento de transferência). Eu revirei minha bolsa, olhei novamente todos os
documentos e não achei. - Não estou achando, será que eu perdi? Ele parecia
explodir.
- Como pensa que vai
vender um carro, sem documentos? Então me fez vir até aqui, viajei muito, pra
depois me dizer que não tem documentos?
Eu respondi que
infelizmente não estava achando o documento, que tinha certeza de que ele
estava lá, enfim; nada poderia fazer naquele momento.
Depois de esbravejar
muito e por pouco não bater em mim, no porteiro e nas pessoas que passavam pela
portaria, ele finalmente foi embora. Senti um alivio como se um grande peso saísse
das minhas costas.
Entrei em casa sem
saber como fazer pra recuperar o tal documento. Liguei pra advogada e liguei
pra agencia onde eu tinha comprado o carro. Mandaram uma lista imensa de itens
para conseguir a segunda via, mas eu continuava a procurar dentro de casa. Eu
tinha certeza de que ele estava lá.
No dia seguinte antes
de sair, troquei de bolsa. Quando estava tirando tudo de dentro de uma bolsa
pra colocar em outra, lá estava ele. O tal do DUT. Ele devia estar lá todo o
tempo e provavelmente, na minha ansiedade de encontrar, eu não encontrei.
Acontece.
Em resumo; Eu acredito
que meu carro não gostou de quem seria seu novo dono e resolveu se fazer de
feio (ele é lindo) trapacear a documentação e torcer pra não ser aceito.
Conseguiu. E quer
saber? Ele tinha toda a razão. Merece um dono melhor.
Não conheço, nem
nunca ouvi falar de alguém que não tivesse sido traído. Ou foi traído ou traiu, ou os dois. Quer dizer; o “foram felizes pra sempre”, depende.
Pra trair tem que ter
coragem. Trair significa mentir, sustentar a mentira e como sempre uma mentira
leva a outra, tem que ter boa memória pra não cair em falso. Aí é que pega.
No meu caso, por
exemplo, do jeito que costumo esquecer das mentiras que invento, fica difícil.
Então, por absoluta falta de competência, eu “jogo limpo”. Tipo – Olha; Não dá
mais.
E depois, livre de
culpa eu parto pro próximo objeto de desejo.
No fundo a vida é um
jogo. Tem gente que assume, deixa o certo pelo duvidoso e depois se arrepende.
Tem quem não arrisque e passa vida toda pensando o que poderia ter sido. Mas
tem também quem jogue na dupla. Deve dar trabalho...
Esse negócio de
“traição” é na realidade bem contraditório. Tem lugares em que ela é vingada com a
pena de morte (para as mulheres, claro). Em outros, ela é simplesmente perdoada
em nome da família - a fórmula american way -. Para alguns, ela é a fantasia do casal e pra outros ainda,
traição é rotina. Faz parte da história de todo casamento bem ajustado (os
filmes franceses que o digam).
Mas a pior das
traições, não é a do corpo. Essa dói e compromete a confiança. Mas a traição da
alma, essa sim é fatal. Estar com alguém, sentindo que o pensamento dele (a)
está em outra pessoa, é no mínimo, fulminante. Existe e aliás, é a mais comum.
Trocando em miúdos e
sabendo que traições muitas vezes, não passam de desejos passageiros, ainda
dói? E se for o grande amor da sua vida? Vai jogar fora tudo o que viveu, por
causa de um evento sem a menor importancia? Porque se for realmente o grande
amor da sua vida, não deve ter tido a menor importancia, em comparação. Passa.
Só não passa o amor quando é amor.
Sendo assim e depois
de tantas aventuras perdoáveis e imperdoáveis, chego à conclusão de que faço
parte – isso só agora – da turma do deixa disso. Ou gostaria de ter feito e esquecido.
Tudo é perdoável numa
história de amor. Tudo. Só não tem perdão, uma história sem amor.
Mas aí já é auto
traição. E todos são culpados. Justamente por se deixarem ser vitimas.
Existem
pequenos amores que duram uma primavera, outros que sobrevivem por todo o
verão.
Existem
lembranças que voltam a partir de uma musica, amores doces e amargos, de todas
as formas e números, tipos e intensidades. Os falsos amores, os sinceros, mas
frágeis. Os amores que viram amigos, os amigos que viram amores.
Existem
amores febris que são curados por uma traição. Amores platônicos que se resolvem com
amores carnais. Existem amores e amores...
E existe o
grande amor.
Ele não é
aquele que causa um tumulto repentinamente e se dilui nos primeiros raios de
rotina, nem esse que jura amor eterno e cumpre a promessa, socialmente.
As paixões
passam, o encantamento passa, só o grande amor sobrevive. Cúmplice nas
tempestades, erros, acertos e apesar de, ele é o amigo, o amado, o fiel no seu sentimento.
Distante às vezes, próximo outras, mas eternamente presente. Entre idas e
partidas, conflitos, pecados e perdões; ele está lá. Sempre. E o coração sabe disso.
É o lendário
pote de ouro no fim do arco-íris. O tesouro ambicionado por todos os seres mortais.
Único e raro,
ele chega sem alarde, mas não se despede, nem se auto proclama.
Não importa a
idade ou o tempo, ele tem todo o tempo do mundo, todas as horas e todos os
momentos. E o mais importante: É recíproco. Almas velhas conhecidas...
Uma alma não
precisa dizer que conhece a outra; ela se parece, se identifica e segue ligada
por um elo invisível e mágico desde o primeiro olhar até o final dos tempos.
Forte na sua
autenticidade, surpreende os amantes e irrita os mal amados
Pouco importa
o passar dos dias, dos meses, a mudança dos anos, a ironia da vida ou da morte.
Existem
muitos olhares e existe o seu. Existem várias lembranças e existem as nossas. Existem
muitos amores.
E só um
grande amor - você. Você, que gostava de colocar pra mim, essa canção
Nessa fase fim de ano/começo de ano, sobrevivi a perdas importantes em
sequencia e tão absurdas (pra mim) que me fizeram chegar à conclusão de que morrer
não é nada. Bobagem.
A gente está lá, batendo papo, conversando sobre os velhos tempos e de repente
todo mundo vai embora e a gente fica com cara de idiota falando sozinho... Cadê
o pessoal? Resposta – Foi para o andar de cima.
- Tem certeza de que é o de cima?
Acho que estou começando a me acostumar com a ideia. Até porque, fui
criada dentro de uma filosofia que não acredita na morte, só na vida. Morreu,
volta. Sempre. - E enquanto isso não acontece, a gente faz o que? Aí é que a
coisa pega. Cada um tem seu ponto de vista e de repente, todos estão certos: Se
a vida é um assunto extremamente pessoal, a outra vida também não é?
Quantos mundos temos dentro do nosso mundo? Quantas realidades
conhecemos? A sua vida é igual à vida de um habitante da Nigéria? De um lutador
de sumô? Do príncipe Harry? Do gerente do banco da esquina? Do catador de caranguejos?
Conheço gente que conversa com os que passaram pro lado de lá (morto é
um nome que nem pega bem), do mesmo jeito que conversa com os que estão do lado
de cá. Na verdade, segundo eles, a diferença é ter corpo ou não ter corpo. E
corpo e roupa não tem muita diferença. Ficou usada, velha, com problemas, a
gente joga fora. Era assim que meu pai dizia e quando ele foi embora, antes de
ir, estava tão convencido disso que até ajudou mamãe em relação às
documentações que ela teria que fazer depois dele partir. Esse era “o cara”.
Dizia que quem ficava mal era quem ficava aqui e como noventa por cento das
coisas que contava, depois eu constatava que ele tinha razão, começo a
acreditar que nesse assunto ele devia ter também.
Já foram escritos livros e mais livros a respeito, já foram feitos
filmes e mais filmes. Peças de teatro, novelas e mais novelas... Desde que
nosso mundo é mundo essa é a maior preocupação da humanidade. Por isso o
incontável numero de religiões.
Uma vez que não temos certeza de nada (apesar de muita gente dizer que
tem), por que não apostar no lado positivo? Daí me vem à mente as ultimas cenas
de Ghost.
– Até breve, diz ele.
Ou a ultima cena gravada de Audrey Hepburn, para o filme “Always”.
– O tempo aqui é muito diferente,
diz ela.
Ou então o magnifico “Amor além da vida”- um dos meus preferidos.
Nesse filme, praticamente todas as cenas são fantásticas.
Eu começo o ano falando do fim. Mas já disseram que o fim é o começo e
como repetia Richard Bach:
“Uma despedida é necessária, antes de vocês poderem se encontrar outra
vez e isso é certo para os que são amigos”.
De Platão a Richard Bach, passando por Kardec e outros filósofos em
questão, todos chegaram a esse ponto em comum.
- Ok, pessoal que me deixou falando sozinha. A gente continua nossa
conversa do outro lado.
Só falta alguém ir embora de novo, porque resolveu que estava na hora de
nascer...
Essa é a palavra que escolhi para esse final do ano. Não, não é nada fácil.
Perdoar não é simplesmente dar as costas e fingir que nada aconteceu.
Perdoar é desatar do coração. É liberar o mal que corrói a nós mesmos. Soltar.
Só se é ferido por alguém, quando esse alguém teve ou tem algum poder
sobre nossos sentimentos. Ninguém é magoado por um desconhecido ou uma pessoa
sem importancia, não profundamente.
Então, se existe magoa, ela é o lado do avesso do amor, o seu oposto; o negativo
se sobrepondo ao positivo. São amarras, laços, correntes que levam a lugar
nenhum ou no máximo ás coisas do seu grupo; tristeza, depressão, rugas...
O amor pode se transformar em magoa, mas a magoa não se transforma em
amor. Daí o perdão, como um “delete consciente”. É complicado, porem
necessário.
Afinal somos seres humanos e todos nós temos sentimentos, apesar de cada
um lidar com eles de maneira diferente.
Perdoar é ser perdoado, como indefinidamente já fomos.
Assim como também ferimos e somos feridos, amamos e somos amados. O mais
importante é amarmos a nós mesmos antes de tudo e de todos e nesse amor por
nós, não pode estar incluído um sentimento cruel. Pelo contrário.
Já explicava Oscar Wilde em “The Picture of Dorian Gray” – a beleza vem de dentro.
E já que beleza é fundamental, por que não usar esse SPA? Perdoar,
soltar, liberar, jogar fora o que não tem mais sentido e abrir espaço para o
belo, o famoso “começar de novo”, nessas paginas totalmente em branco de
2013.
Pra mim, especialmente, 2012 me deixou essa lição (repetidas vezes) que
espero ter aprendido:
Nas
vésperas do réveillon, nada melhor que um filme – história verídica – feito de
ternura e alegria.
Roteiro
adaptado do livro “O
segundo suspiro”, de Philippe Pozzo di Borgo, executivo da casa de champanhe
Pomery que ficou tetraplégico após um acidente de parapente, ele já é considerado como o de
maior bilheteria do ano e com razão - visto por mais de 20 milhões de franceses e
32,5 milhões de espectadores na Europa
-.
Ambientado
em Paris, focando o lado miserável da cidade em contraste com o dos bem
nascidos, o assunto é a vida de Philippe
(François Cluzet) um aristocrata rico que, após sofrer um grave
acidente, fica tetraplégico e procura um cuidador eficiente e confiável.
Em
meio às entrevistas com gente capacitada, experiente e estudiosa do assunto,
ele se depara com Driss (Omar Sy),
um jovem argelino
problemático, que não tem a menor experiência em cuidar de pessoas,recém saído da prisão, porém fortemente
carismático e bem humorado.
A partir desse encontro nada
convencional, um turbilhão de conflitos revela traumas e segredos de ambos os
lados, o que resulta numa cumplicidade inesperada.
Dirigido por Olivier Nakache e Éric Toledano,Intocáveisrecebeu
oito indicações ao César e rendeu a Omar Sy, o César de melhor ator.
Trilha sonora impecável e fotografia deslumbrante completam esse
grande trabalho, que vale a pena conferir, nem que seja só para admirar as fantásticas
atuações dos protagonistas.
Fica a dica para finalizar o ano brindando à esperança
Alguns
afirmam, que depois da morte nascemos de novo, voltamos pra cá, muitas outras
vezes, porem sem lembranças da vida passada, salvo raríssimas exceções. Em alguns casos, alguns flashes e só. Eu,
particularmente, tenho seríssimas razões para acreditar nisso.
De certa
maneira, no decorrer da vida, acontece quase a mesma coisa. Outro dia revi um filme que trata disso: "Brilho eterno de uma mente sem lembranças". Roteiro de Charlie Kaufman com Jim Carrey e Kate Winslet.
Catalogado
como ficção, o filme é na verdade uma declaração de amor, por amor e pelo amor.
Trata da ilusão, de que um dia tenha sido criada uma maquina, capaz de apagar da
mente, as lembranças indesejáveis, doloridas, perturbáveis.
Toda a trama,
ou grande parte dela é contada através da mente de Joel Barish (Jim Carrey).
Ele e Clementine (Kate Winslet) terminam um caso bastante tumultuado e ele
decide apagar as lembranças, através dessa maquina, principalmente depois de
saber que ela (Clementine), já tinha apagado as suas.
O filme se desenrola (através da mente dele) pelos momentos felizes, infelizes e os
problemas que juntos enfrentaram, deixando claro que para esquecer, antes é
preciso lembrar. E nesse processo de eliminação das memórias, aos poucos, Joel
toma consciência, de que não vale a pena perder aquelas lembranças, que bem ou
mal, fazem parte da sua vida e dá início á luta contra ele mesmo, para não
perder o único elo que sobrou da sua história de amor. As recordações de
Clementine.
A história então,
se transforma num dialogo entre a mente e as lembranças. A luta pela
sobrevivência de uma das partes, dentro da mesma pessoa.
Um grande
filme que trata de um assunto delicado, a tal ponto, que deixa uma questão no
ar. – Por piores ou melhores momentos vividos, será que vale mesmo a pena
esquecer?
No fundo a
gente sabe que no decorrer da vida, mesmo sem essa maquina que apagaria as
lembranças, elas certamente são apagadas, ou quase, de uma maneira ou de outra, até por
conta do nosso próprio instinto de sobrevivência. Sabemos também de que nada
adianta lutar para manter um elo, que fatalmente vai se quebrar.
Segundo os
reencarnacionistas, nada é gratuito, nada é por acaso e o que não ficou
resolvido, ainda será, feliz ou infelizmente. Quando e como o Universo quiser.
É ele o
brilho eterno em nossa mente, por hora sem lembranças...
Assim como o carioca tem o hábito de dizer "olha só...", os paulistas (sem perceber) dizem muitas vezes "então". Daí o "então" é usado pra muitas coisas; pra começo de frase ( então eu acho que...), pra afirmar (você gosta mesmo disso ? resposta - então), e por aí vai... Outro dia me perguntaram por que eu não tinha ainda um blog, uma vez que adoro escrever e toda a minha vida trabalhei com comunicações. Foi quando entrei aqui, olhei pra sessão de blogs e pensei : - Então...
Compositora com mais de 300 musicas gravadas por muita gente boa, entre elas a música Outra Vez que Roberto Carlos gravou, antes de um monte de outras regravações. Resolveu montar um selo e uma editora "Toca Disc", gravou seu próprio CD e escreveu um livro"Você também faz musicas?" - Responsável por trilhas sonoras em teatro e cinema, propagandas publicitárias e temas de várias novelas da Rede Globo de Televisão.