Nessa fase fim de ano/começo de ano, sobrevivi a perdas importantes em
sequencia e tão absurdas (pra mim) que me fizeram chegar à conclusão de que morrer
não é nada. Bobagem.
A gente está lá, batendo papo, conversando sobre os velhos tempos e de repente
todo mundo vai embora e a gente fica com cara de idiota falando sozinho... Cadê
o pessoal? Resposta – Foi para o andar de cima.
- Tem certeza de que é o de cima?
Acho que estou começando a me acostumar com a ideia. Até porque, fui
criada dentro de uma filosofia que não acredita na morte, só na vida. Morreu,
volta. Sempre. - E enquanto isso não acontece, a gente faz o que? Aí é que a
coisa pega. Cada um tem seu ponto de vista e de repente, todos estão certos: Se
a vida é um assunto extremamente pessoal, a outra vida também não é?
Quantos mundos temos dentro do nosso mundo? Quantas realidades
conhecemos? A sua vida é igual à vida de um habitante da Nigéria? De um lutador
de sumô? Do príncipe Harry? Do gerente do banco da esquina? Do catador de caranguejos?
Conheço gente que conversa com os que passaram pro lado de lá (morto é
um nome que nem pega bem), do mesmo jeito que conversa com os que estão do lado
de cá. Na verdade, segundo eles, a diferença é ter corpo ou não ter corpo. E
corpo e roupa não tem muita diferença. Ficou usada, velha, com problemas, a
gente joga fora. Era assim que meu pai dizia e quando ele foi embora, antes de
ir, estava tão convencido disso que até ajudou mamãe em relação às
documentações que ela teria que fazer depois dele partir. Esse era “o cara”.
Dizia que quem ficava mal era quem ficava aqui e como noventa por cento das
coisas que contava, depois eu constatava que ele tinha razão, começo a
acreditar que nesse assunto ele devia ter também.
Já foram escritos livros e mais livros a respeito, já foram feitos
filmes e mais filmes. Peças de teatro, novelas e mais novelas... Desde que
nosso mundo é mundo essa é a maior preocupação da humanidade. Por isso o
incontável numero de religiões.
Uma vez que não temos certeza de nada (apesar de muita gente dizer que
tem), por que não apostar no lado positivo? Daí me vem à mente as ultimas cenas
de Ghost.
– Até breve, diz ele.
Ou a ultima cena gravada de Audrey Hepburn, para o filme “Always”.
– O tempo aqui é muito diferente,
diz ela.
Ou então o magnifico “Amor além da vida”- um dos meus preferidos.
Nesse filme, praticamente todas as cenas são fantásticas.
Eu começo o ano falando do fim. Mas já disseram que o fim é o começo e
como repetia Richard Bach:
“Uma despedida é necessária, antes de vocês poderem se encontrar outra
vez e isso é certo para os que são amigos”.
De Platão a Richard Bach, passando por Kardec e outros filósofos em
questão, todos chegaram a esse ponto em comum.
- Ok, pessoal que me deixou falando sozinha. A gente continua nossa
conversa do outro lado.
Só falta alguém ir embora de novo, porque resolveu que estava na hora de
nascer...
Será que fui eu que disse alguma coisa errada?
