terça-feira, 30 de setembro de 2008

EU SEI QUE VOU TE AMAR

Fazia muitos anos que eu não ia á Ilhabela. Está ainda mais bela, apesar do tempo frio desse final de semana. O caminho que pegamos talvez seja ainda mais bonito que ela. Fomos pelo caminho das praias, e paramos em algumas delas. Foi quando eu percebi que mais importante do que a beleza de qualquer praia paradisíaca, são os seus habitantes; gentis, sorridentes e amigos. Isso é Brasil.
Numa das noites, sem poder sair por causa da chuva, liguei a TV e quem vejo? Roberto cantando no programa "50 anos de bossa nova"! Foi muito bom estar em Ilhabela vendo e ouvindo Roberto cantando Jobim/Vinicius. Vale à pena postar aqui pra vocês verem comigo. Eu sei que vou te amar.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

HERE THERE AND EVERYWHERE

Tempos que não voltam mais e ao mesmo tempo sempre estarão presentes.
O passado sempre será o nosso futuro, o presente simplesmente não existe, já virou passado
Só ele importa, só ele conta a nossa história, mesmo que quase todas as histórias desse tipo se pareçam.
Às vezes o grande amor de nossas vidas chega cedo demais, às vezes se vai cedo demais, assim como muitas vezes só se percebe tarde demais.
E tudo o que resta é o passado, como um inverno triste e sem sol.
Mas o inverno não é eterno, um dia também se transforma em passado e vira primavera, pra começar tudo de novo, debaixo de um novo sol com outras flores e cores, mas o mesmo amor. Porque só ele é eterno. Aqui, ali e em qualquer lugar
Minha música preferida, feita pelos meus autores preferidos - Lennon e MacCartney -, aqui com meu cantor e músico preferido: George Benson.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

GENIAL DEPARDIEU


Foto de Depardieu na pele de Alain Moreau



Tempo frio em Sampa, viagem cancelada, etc, etc, etc, eu resolvi ver outro filme, - francês, pra ver se fazia as pazes com o cinema da terra de Moliére - "Quand j'étais chanteur", que aqui no Brasil recebeu o titulo de "Quando estou amando" (tradução nada a ver, só pra variar).

Surpresa! Apesar da direção de Xavier Giannoli – indicado a Palma de Ouro por melhor direção – eu não esperava tanto. Fui ao cinema por Gérard Depardieu (um dos melhores atores do século, na minha humilde opinião).

O filme já começa dentro de um singles bar, no show de quem já teve dias melhores; o cantor Alain Moreau. Chocante!
Gente... Seu terno branco, suas rosas vermelhas, sua pop musica anos 70 em plenos anos 2000 e a platéia quarentona e cinquentona ali, dançando e cantando com ele. Mais kitsch impossível. 
Já disseram que; uma vez o cafona exercido com propósito consciente ele se transforma em kitsch. Entendi a razão pela qual, o filme está indicado para o prêmio César Awards. Aliás, os prêmios não param por aí. Vencedor de melhor som e indicações para: Melhor ator, atriz, direção, roteiro original e melhor filme francês. E´mole? E merece.

A história: Acostumado mas também cansado com a vida que leva, ao lado da ex-mulher que se transformou em sua empresária, Alain Moreau é um cantor que não escolhe mais endereço para trabalhar e é assim que ganha a vida enquanto ainda autografa e faz fotos para as suas também cansadas fãs. Até que um dia se depara com uma corretora de imóveis nada gentil, embora discretamente bonita e muito mais jovem que ele. Essa é a sua chance de recuperar -através dela - a juventude perdida. Pronto: Um romance. Mas não é esse o tema central do filme.
O assunto mais importante é ele, que retrata fielmente a vida de um cantor – que já passou há muito dos 50 - que não chegou a ser ídolo, mas já teve seus dias de primavera e hoje em dia é um funcionário free, como qualquer outro, de cabarés, restaurantes, salões de bingo, enfim, onde puder cantar. Como diz Celso Sabadin "Existe um certo charme nostálgico no mundo decadente dos velhos cantores românticos e dos salões de baile".

As músicas não poderiam ser mais adequadas. Sucessos de Serge Gainsbourg, Charles Aznavour, Michel Delpech, Jean-Michel Rivat (até Quiçás, quiçás em francês) e Christophe – que faz uma rápida aparição -.
As melhores cenas são exatamente aquelas em que Depardieu canta, (ele também canta e bem!) sempre no mesmo estilo "iglesiano" que de tão brega virou cult. O figurino segue no mesmo estilo, tanto em relação ao artista quanto ao publico, feito de corações solitários, nesses bailes.
“Quanto Estou Amando” é apontado pela critica especializada, como o filme que melhor celebra a carreira e talento de Gérard Depardieu. Dessa vez, concordo com a crítica. O fato é que esse filme, a gente não esquece. Ao contrário; quer ver de novo. Aliás, se não me engano, eu já vi um personagem desses em algum lugar, ops…
Dica: Fique para os créditos que tem mais uma seqüência, tipo bastidores.Genial!
Dá uma olhada no trailer.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

NOSSOS TROVADORES

Durante as comemorações de 450 anos de São Paulo, uma das grandes homenagens foi do grupo Trovadores Urbanos, que lançou um CD comemorativo, onde cantam canções de autores paulistas. 
Depois do Cd, o DVD e depois do DVD a tournée, por várias cidades do estado e bares da capital, tendo como convidados, os compositores paulistas que fizeram parte dessa homenagem.

Os Trovadores Urbanos, conhecidos por todo o Brasil, transformaram as antigas serenatas em shows particulares e personalizados ganhando sucesso nacional e internacional, com várias tournés também pela Europa.
Muito antes disso, eu já era fã dessa turma, não só pela grande qualidade vocal, mas pelo bom gosto do repertório, pelo resgate musical e acima de tudo, pela simpatia.

Como eu faço parte (felizmente) desses compositores paulistas, fui convidada pelo grupo a participar do show que fazem todas as terças no Villaggio Café, cada terça com um compositor. Viu só, que chique?
Cá entre nós, eu nunca fui muito chegada aos palcos, sempre preferi trabalhar nos bastidores, fazer minhas músicas em casa e depois entregar aos tantos e maravilhosos interpretes que gravaram minhas canções. Mas nesse caso, da terça passada, a história era outra.
Nunca me imaginei no mesmo palco que os Trovadores. Gente... Foi mais do que emocionante.
Eu até respondi algumas questões, cantei, sozinha e acompanhada e depois; foi só elogios. Mas, é claro. Quem não se dá bem quando está ao lado de um grupo desses? Eu a-do-rei!
Eu queria de novo agradecer a essa equipe linda formada por Maida Novaes, Juca Novaes, Eduardo Santana (que também é meu parceiro querido) e a Valéria Caram.
São coisas assim que fazem a gente agradecer ao destino e ao nosso Amigo Maior, que certamente está sempre torcendo pela gente, até quando a gente pensa que ele esqueceu. Esquece nada... Valeu, pessoal!

terça-feira, 19 de agosto de 2008

A IRONIA DE CHABROL


Acabei de assistir o filme "Une fille coupée en deux" ou "Uma garota dividida em dois", direção Claude Chabrol.

A impressão que se tem é de se estar assistindo um filme dos anos 70 - apesar da história se passar em 2006 - onde a personagem central repete a fórmula de Emanuelle: 

Sem qualquer defesa ela se deixa seduzir por um escritor idoso, pervertido, que a rejeita e a humilha, vivendo por outro lado a insistência de um rapaz bonito, rico, porém problemático e mimado que entra na competição por ela. Tristes e irreais opções, uma vez que se trata de uma garota jovem, bonita e independente.
Mas não pára por aí. A personagem se joga numa paixão doentia (mais pelo fato de não ser amada como queria) pelo tal escritor, independente do século em que vivemos, da autonomia conquistada pela mulher, etc. e coloca em risco seu emprego, seus valores, sua família por uma obsessão com dramáticos resultados. 

Nesse caso, a arte longe de imitar a vida, se propôs a caçoar dela, deixando um gosto de "dejá vu" para o publico, que se esperava um filme com um mínimo de inovação, tudo o que conseguiu foi uma proposital caricatura.
A atriz Ludivine Sagnier, não decepcionou e Benoît Magimel encarnou o próprio angustiado vilão. François Berléand, não conseguiu convencer que seria capaz de seduzir a garota. 

O que teria que passar como uma relação passional, não chegou a causar nem mesmo uma tênue emoção, tal a falta de química dos amantes, sobrando para o vilão, Benoit Magimel, as cenas de maior peso e atenção.
Em se tratando de Chabrol, seria um conto de fadas as avessas (a protagonista se chama Gabrielle Deneige – ou seja De Neve), onde a magia estaria exatamente na falta de amor – só existem obsessões – e na falta de verdade, tanto nos personagens como na história. Uma ironia, dentro do estilo. Tem gente que gosta, mas eu, particularmente e á essa altura do campeonato, prefiro um cinema mais emocionante e com um minimo de conteúdo.

sábado, 2 de agosto de 2008

OS ÚLTIMOS BRASILEIROS

“Índios da etnia Kayabí que habitam atualmente a área do Parque Indígena do Xingu, em Mato Grosso, mantém reféns desde a última quinta-feira (30) quatro pescadores e um servidor da Fundação Nacional do Índio (Funai) na Aldeia Sobradinho. Eles reivindicam a ampliação de suas terras. A informação é do coordenador de Fiscalização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Bruno Barbosa.” (noticia da UOL)

Pelo que entendi, o Brasil era um país habitado - com seus hábitos, religião, política e costumes - quando chegaram os portugueses, se auto-proclamando “descobridores” e seduziram, usaram, abusaram, mataram e expulsaram os verdadeiros habitantes do país. Não contentes, se apropriaram de ouros, pedras preciosas e ainda exigiram impostos que seriam levados para Portugal em paga por essa invasão. 

Ok, isso foi há mais de 500 anos, mas isso redime a culpa?

Depois disso vieram povos de todas as partes do mundo habitar esse pobre país desfalcado e hoje quando ainda os poucos nativos que restam, resistem, são menosprezados, esquecidos, obrigados a viverem em estado de extrema penúria. A única linguagem que podem utilizar para se comunicar é a linguagem do povo que chegou depois; a violência. Eles aprenderam que seqüestrar dá resultado, então usaram. Deviam ter usado antes, mas eram ingênuos demais pra imaginar a proporção que tomaria aquela invasão. Foram os únicos realmente brasileiros, o resto é imigrante, estrangeiro, como a maioria do nosso povo. Tá certo, precisamos de progresso, mas alguém perguntou á eles se era isso que eles queriam ?

sábado, 19 de julho de 2008

HAPPY END CLOCK...

...ops, me perguntaram o final da história do relógio. 
Ele chegou, sim e eu continuo desconfiada que era mesmo o meu (com nova pulseira, mas da mesma marca). Pra saber com certeza eu teria que procurar desde a loja onde comprei pela primeira vez, ou a fabrica, etc. 
Pelo sim, pelo não, resolvi deixar como está e acreditar que ele é o meu , que perdi e agora reencontrei. Happy end.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

DUSSEK DE QUARTA


De repente, Eduardo Dussek chegou de Curitiba pra fazer um show no bar Brahma, na quarta passada – 9 de julho - e me ligou. Imagine se eu iria perder essa...

Dussek pode fazer – se ele quiser – o mesmo show, mil vezes e sempre será diferente. Não adianta ele dizer que seu show é um improviso devidamente ensaiado. São duas horas de surpreendentes curiosidades e altíssimo astral (um amigo meu disse que se curou da gripe, depois do seu show).
Brincadeiras á parte, foi muito bom ouvir de novo suas canções e também a interpretação que só ele daria pra minha canção.

Lá pras tantas (a casa lotada), Cauby Peixoto que estava na platéia, concordou em dar uma “canja”, cantando uma canção de Dussek, com ele. Imperdível.
Canções como “Brega e Chique (Doméstica)”, “Aventura”, “Cabelos Negros”, “Cantando no banheiro” são eternas. Principalmente na interpretação de um artista com pleno domínio da sua platéia a ponto de conseguir com que no “Rock da cachorra”, toda a platéia "latisse" junto com ele.
Um artista assim completo – cantor, ator, escritor, compositor, pianista – não é comum no nosso país. Inteligente, elegante, educado e ainda por cima bonito.
Eu me sinto previlegiada por ter um parceiro desse porte. Fizemos juntos várias canções (Sou eu, Quem é você, Música e Letra, etc.) e se Deus quiser faremos outras mais. Nossa parceria sempre deu sorte; música-tema de shows, de novelas, gravadas por excelentes intérpretes, incluindo ele mesmo.
Dussek deve ficar no mínimo um mês no Bar Brahma, todas as quartas, às 22hs. Se eu fosse você iria lá pra conferir. Ele é no mínimo, o máximo. - Foto -  no camarim depois do show; Malcolm Forest, Dussek e eu

quarta-feira, 9 de julho de 2008

DIA 9 DE JULHO - FERIADO PAULISTA


Dia 9 de Julho alem de ser feriado, é nome de uma grande Avenida em São Paulo, mas muita gente não sabe o que significa. Vamos lá. Um pouco de História:

Com o golpe militar que deportou D, Pedro II em 15 de novembro de 1889, o Brasil se tornou uma República Federativa. Houve a adesão de antigos monarquistas ao sistema republicano de governo e o poder estava nas mãos dos grandes proprietários.
Durante a segunda metade do século XIX, São Paulo não somente enriqueceu devido à expansão cafeeira, como também adotou modelos mais liberais em relação a outras províncias se tornando o maior poder brasileiro. Na época, as mulheres não tinham direito ao voto, esse direito estava também condicionado à pessoa ter determinada renda, e saber ler e escrever. 
Como era muito baixo o grau de instrução do povo, só uma minoria podia votar e o processo eleitoral não assegurava a liberdade de escolha, principalmente pelo fato do voto ainda não ser secreto. As eleições eram manipuladas pela aristocracia, que através do "coronelismo" impunham sua vontade à população.
Portanto, essa república - conhecida como Republica Velha - continuava as mesmas práticas centralizadoras do Império, através da política dos governadores dos estados, que controlavam, de um lado, o poder local através dos coronéis, e, de outro, davam sustentação aos presidentes. 
Nesse meio tempo, o café começou a sofrer prejuízos e contrair dividas. O presidente - eleito em 1898 - Campos Sales, paulista, buscou parceria com Minas Gerais - porque possuía 37 deputados federais e era a maior bancada da Assembléia, devido a sua população - e o governador de Minas aceitou o pacto com São Paulo. Para Minas Gerais, o apoio a São Paulo garantia a nomeação dos membros da elite mineira para cargos na área federal e verbas para obras públicas, como a construção de ferrovias. Era a política do "café-com-leite". Assim, a cada quatro anos, ou um paulista ou um mineiro tornava-se presidente da República.
Em 1929 lideranças de São Paulo romperam a aliança com os mineiros e indicaram o paulista Julio Prestes como candidato à presidência da República. Em reação, o governador de Minas apoiou a candidatura oposicionista do gaúcho Getúlio Vargas. Então, disputaram o cargo, o paulista Júlio Prestes e o gaúcho Getúlio Vargas.
Prestes ganhou, mas Vargas tomou o poder.
O governo provisório de Getúlio prometeu uma nova constituição, mas nada ocorreu no primeiro ano e em São Paulo, a resistência ao governo era cada vez maior. O movimento se ampliou depois que quatro manifestantes foram mortos por policiais durante um protesto pró-constituição no dia 23 de maio - nome também de uma grande Avenida em São Paulo -.


No dia 9 de julho, o ex-candidato Júlio Prestes, com apoio do interventor de São Paulo - Pedro de Toledo - deu o estopim para a revolução. O Estado se mobilizou, milhares de pessoas tornaram-se voluntárias, São Paulo tinha 40 mil soldados, divididos em três frentes principais de combate: as fronteiras com o sul de Minas Gerais, o norte do Paraná e o Vale do Paraíba. A desigualdade entre as tropas constitucionalistas e as getulistas era grande. O governo federal fez uma campanha contra o movimento difundindo a ideia de que São Paulo queria se separar do Brasil, o que ajudou a angariar voluntários.
A intenção dos paulistas era receber apoio de setores insatisfeitos de outros Estados para conseguir uma nova Constituição. Esses movimentos, no entanto, foram rapidamente inibidos. Em 3 de outubro, as tropas se renderam após ser negociada a anistia para os soldados e o exílio para as lideranças. A revolução acabou, mas teve como resultado uma nova constituição, promulgada em 1934.
Em 1933, foram eleitos os representantes da Assembléia Constituinte, pela primeira vez, com voto feminino. Em julho de 1934, ela foi promulgada. As novidades foram, entre outras:
1 - A ampliação do princípio da igualdade perante a lei, independente de cor, sexo, idade ou classe social; 2 - voto secreto e obrigatório para todos os maiores de 18 anos; criação da Justiça do Trabalho e da Justiça Eleitoral
3- nacionalização das riquezas de solo e fontes d água
4 - proibição do trabalho infantil
5- criação da jornada de trabalho de oito horas diárias, do descanso semanal remunerado, das férias de 30 dias e da indenização para o trabalhador demitido
6- regulamentação dos sindicatos
A Constituição de 1934 durou cerca de três anos apenas, com o menor tempo de vigência no Brasil até hoje. Em 1937, alegando problemas de segurança nacional, Getúlio Vargas instala o chamado Estado Novo – Ditadura -, perseguindo inimigos políticos e abolindo as eleições, por exemplo. A nova Constituição realmente, só seria promulgada depois da saída de Getúlio e o estabelecimento de um novo governo, presidido por Eurico Gaspar Dutra.

Em agosto de 1954, Vargas suicidou-se no Palácio do Catete com um tiro no peito. Seus últimos dias de governo foram marcados por forte pressão política por parte da imprensa e dos militares. A situação econômica do país gerava muito descontentamento entre a população. Em sua carta testamento ele escreveu: “Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na história”.

Portanto, dia 9 de julho ficou marcada como a data que gerou uma nova Constituição, apesar de tardia e à custa de uma revolução com mais de 600 mortes paulistas e só se tornou feriado em 1997, por determinação do então governador de São Paulo, Mário Covas.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

SILVINHA ARAUJO

A vida passa mais rápido do que a gente imagina e tudo acontece num piscar de olhos. Foi ontem mesmo, minha festa de 15 anos, depois fiz dezesseis, logo em seguida, me vi fazendo back vocal para cantores nos estúdios da RCA - lá na Dona Veridiana - que hoje nem existe mais. Foi num desses trabalhos que conheci Eduardo Araújo e Silvinha. Não me lembro de uma pessoa mais doce, simpática e dona de um tremendo talento. Foi Eduardo quem levou minha primeira canção (minha e do meu irmão Milton Carlos) para Roberto Carlos. Se não fosse ele, não teríamos acesso ao rei.

Silvinha, na minha lembrança, é Silvinha loira, linda e jovem, que cantava ontem no estilo de hoje. Uma voz á frente do seu tempo, um estilo personalíssimo. Cantora, mãe e amiga, que particularmente eu acho que poderia ter tido um reconhecimento maior em relação a sua vida profissional. Mas nada é por acaso. Sua missão era exatamente essa. Tanto era que foi cumprida, finalizando dia 25 de junho.
Como espiritualista que sou, sei que a vida não termina simplesmente assim. Só o personagem é que deixa de existir, como no teatro. Silvinha como Silvinha cantora, não existe mais, mas ela, seu espírito sempre existirá e voltará ao nosso convívio inúmeras vezes, quantas ela quiser.
Um dia, nós também estaremos desse outro lado, só não sabemos quando. Pouco importa a "vida saudável", as prevenções contra essa ou aquela doença, pouco importa a religião de cada um; estaremos lá.
Tudo o que importa é a nossa bagagem. Que seja feita de fraternidade, de caridade, de amor ao próximo. Que nossa estadia por aqui deixe boas lembranças e a certeza de que de alguma forma contribuímos para a felicidade dos que ainda não cumpriram sua missão.
O tempo passa muito rápido, muito mesmo. Ontem éramos adolescentes, amanhã estaremos do outro lado e depois de amanhã, começaremos, nós todos, tudo de novo.
Boa viagem, Silvinha. Até á vista.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

JÁ OUVI ISSO ANTES...

Antes e depois que escrevi o livro "Você também faz músicas?" recebi e-mails de compositores me perguntando o que fazer caso sua canção seja plagiada. Existem vários procedimentos, inclusive o de encaminhar o caso para a justiça, entretanto e particularmente, eu mesma nunca tomei nem tomarei esse caminho. A bem da verdade; me envaidece. Juro. Já fui plagiada por pequenos e grandes autores (chiquérrimo, hein?) e algumas vezes  tão descaradamente, que me fez rir (e não é que a tal da canção genérica estourou, de novo?).
Ser copiada, plagiada, imitada, significa: Adoraram meu trabalho, a tal ponto que copiaram. Só não gosto quando atribuem a mim o que eu não fiz e descobri que não sou a única que pensa assim.
Leiam esse texto do grande Carlos Heitor Cony

HISTÓRIAS DE PLÁGIO - Carlos Heitor Cony (é dele mesmo)

Ainda não me dei ao respeito de ler a biografia do Paulo Coelho escrita pelo sempre competente Fernando Morais. Amigos que a leram me informam, alarmados, que o mago, em início de carreira, plagiou uma crônica minha para se habilitar ao emprego num jornal do Nordeste. Nada tenho contra. Lamento apenas a falta de gosto ou de informação do Paulo. Bem que poderia ter escolhido autor mais importante.Sou amigo dos dois, do biógrafo e do biografado. Lerei o livro com a unção que eles merecem. Quanto ao plágio, se verdadeiro for, é um acidente de percurso na carreira dele e na minha. Nada grave que dê para me chatear.Chato mesmo é ler na internet textos meus assinados por outros. E, pior ainda, é ler textos de outros assinados por mim. Tive há tempos uma experiência que me chateou. Estava em Paris, cobrindo a Copa do Mundo de 98, quando soube que um colunista aqui do Rio assinara duas crônicas minhas como suas. Descoberto o plágio, não por mim, mas pela Folha, o jornalista foi demitido do "JB", certamente por um motivo justo: deveria ter escolhido um autor mais ilustre para copiar.Mesmo assim -como disse- fiquei chateado por causa da demissão do colega. Quando tomei conhecimento do fato, a nossa seleção enfrentava um compromisso fora de Paris, acho que em Nantes ou em Marselha. Eu estava sem condições de interferir junto à direção do "JB" no sentido de impedir a dispensa do seu profissional.Lembro agora que o Fernando Morais me telefonou, há tempos, perguntando se sabia do plágio do Paulo Coelho. Lógico que não sabia. E, mesmo se soubesse, dava-lhe a minha bênção e aprovação. Gosto dele, é um gentleman, o sucesso internacional não o modificou, é um garoto que muito sofreu e ainda acredita no maravilhoso.
Carlos Heitor Cony (é dele mesmo)

segunda-feira, 16 de junho de 2008

CAFÉ COM LEITE CONDENSADO


"Intoxicação alimentar ocorre quando uma pessoa ingere alimentos contaminados por certas bactérias As bactérias podem estar em todo tipo de conserva em latas e vidros, principalmente vegetais com pickles, vagem, milho, cogumelos, palmitos, ervilhas, alimentos defumados com carnes, patés. Ao comprar alimentos enlatados, observe a data de validade, e condições da lata. Não compre se a lata estiver amassada ou estufada. Antes de consumir alimentos acondicionados em vidros ou latas, ferva-os por 10 minutos".

Tudo isso a gente lê, a gente sabe, mas muitas vêzes esquece. 
Não sei ao certo se foi isso, só sei que no sábado depois de tomar um café com leite condensado (e ter esquecido de lavar a lata antes) eu não fiquei nada bem. 
Domingo de manhã eu acordei com enjoo  dor de cabeça e a pressão desabando. Dormi o dia inteiro, cada vez que acordava sentia vertigem. Foi assim até de noite (não conseguia comer nada). Pensei logo em botulismo ou coisa assim, imaginei como seria recebida minha morte pelos meus amigos;
- Morreu de leite condensado!
- Logo ela, que queria emagrecer?
- Se fizesse dieta...
Querendo ou não fiquei de dieta 2 dias, com dor no estomago, dor de cabeça, dor na consciência e o sentimento de irresponsabilidade comigo mesma. Passou, melhorou, mas que serviu de lição, serviu.
E cá entre nós; Dois dias em jejum dá pra perder no minimo uns dois kilos, não?