sábado, 17 de setembro de 2011

NÃO ADIANTA NEM TENTAR TE ESQUECER

O tempo passa pra todo mundo. Nosso “Rei” Roberto Carlos pode até estar mais velho, mas com a idade veio a sensatez, a sabedoria a coragem de assumir certos defeitos e manias, comuns a todos nós, mortais, mas que antes eram simplesmente lendas atribuídas a ele.

Sua forma de cantar mudou. Está mais sóbrio, mais sério. Traz na bagagem muita história; decepções e perdas versus sucessos escandalosos, a somatória de sua vida singular. Isso se vê refletido na sua voz, na sua interpretação e até na postura frente aos seus súditos fieis.

Muitas coisas eu já sabia, outras pressentia e outras ainda fiquei sabendo, ontem, na sua entrevista no programa Jo Soares.

Sempre soube do seu amor pela natureza, mas foi novidade o episódio da lagartixa, hóspede efetiva no seu apartamento, do cuidado em relação às formigas e outros pequenos bichinhos.

Nos dias de hoje, em que a sensibilidade é tão rara, assim como a bondade, ele é aquele diamante cor de rosa que não tem preço, como ser humano. Como artista, nada tenho a dizer, suas musicas falam por ele.

E vão continuar a falar, séculos depois, quando o mundo contar a história de que houve um dia um homem, um cantor, um compositor, de tão grandioso talento que era chamado de Rei, que amava o mar, o céu, a floresta, os animais e nem o tempo foi bastante forte para apagar suas marcas.

Não adianta nem tentar esquecer.

(trecho da entrevista de Roberto Carlos 17/09/2011)


domingo, 11 de setembro de 2011

A VOZ



Tenho vários amigos e amigas, mas uma em especial é mais do que uma irmã, é a mais importante.

Justamente essa amiga querida teve que se submeter a uma cirurgia, que me assustou: Colocar três pontes de safena. Eu sei que hoje em dia, diante de outros tipos de cirurgia, essa passou a ser apenas mais uma cirurgia. Mas fiquei seriamente preocupada, só rezando, enviando energias positivas, ligando todos os dias, etc. O pior é que ela está bastante longe e eu tive que me conformar em acompanhar de São Paulo, toda a história, até porque ela mesma não quis que eu fosse pra lá. Menina corajosa.

Hoje, uma semana depois, ela me contou “os bastidores” de como tudo aconteceu.

Assim que ela foi encaminhada a sala de cirurgia, estava meio que dormindo e alguém (ela não sabe quem) disse pra ela;

- Você tem direito a um desejo, não importa qual, o que você quiser. Você tem direito a um único desejo. Peça o que quiser que eu vou realizar.

Ela pensou, pensou e respondeu:

- Não sei o que pedir, eu não tenho o que pedir. Tudo o que quis na minha vida, eu fiz. Tenho tudo o que quero. Nada a pedir, obrigada.

A voz insistiu, sugeriu, e ela respondendo a mesma coisa. A voz usava palavras muito bonitas e ela respondia sempre a mesma coisa. Tipo: Agradeço sua proposta, mas no momento não preciso de nada. Esse papo foi longe, sempre a mesma coisa e cada vez mais ela se lembrava de tudo que tinha conseguido na vida, de tudo que tinha passado, das pessoas que amou e perdeu, das pessoas que amava e ainda estavam vivas e cada vez mais chegando a conclusão, que tudo tinha acontecido no tempo certo; nem antes nem depois. Toda a sua vida passava pela sua mente e ela não queria mudar nada, nem acrescentar nada. Até que a voz silenciou, ela estranhou, abriu os olhos, tinha uma enfermeira do lado e ela perguntou;

- E aí? Quando é que vai começar essa cirurgia?

E a enfermeira

- Já acabou. Você está na UTI.

E ela sentiu muito frio, ficou muito mal humorada, brigou com a enfermeira (porque estava com frio) disse que ia processar o hospital e chegou à conclusão que a enfermeira queria mata-la. Imaginou como se defender se a enfermeira atacasse, por isso não comia nada e jogava fora os remédios que tinha que tomar (no caso de ser veneno).

Na manhã seguinte, outra enfermeira apareceu com uma maca e ela pensou- Vão me levar pra fazer mais exames e depois me mandam de volta pra UTI, mas se me fizerem voltar pra cá eu fujo. Imaginou sua fuga, planejou...

Só que logo na saída estava seu filho esperando pra ir com ela pro quarto.

Daí ela começou a chorar e chorou o dia inteiro. Não queria comer, nem beber, nem falar, nem nada. Só chorar.

Ela não sabe se chorou porque estava livre, porque não tinha morrido ou porque não tinha mesmo nada a pedir.